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No Povoado Gavião, em Palmeira dos Índios, o som das máquinas pesadas ecoou como um lamento para os moradores. A praça central, por décadas o ponto de encontro da comunidade, foi reduzida a escombros para dar lugar à duplicação da rodovia AL-115.
O que as autoridades chamam de progresso, para os moradores é uma perda irreparável: o espaço onde gerações brincaram, se reuniram e construíram memórias foi apagado sem aviso ou diálogo.
A demolição, iniciada nesta semana, pegou a comunidade de surpresa. A praça, mais do que um espaço físico, era o coração do povoado. Ali, crianças corriam livres, amigos trocavam histórias ao fim do dia, e casais iniciavam romances sob a sombra acolhedora. “Cresci naquela praça. Foi onde vivi minha infância, onde sonhei e onde vi a comunidade unida. Agora, é só entulho”, lamentou Bruna Duarte, administradora local, em um relato comovente compartilhado nas redes sociais.
A obra, segundo a justificativa oficial, visa melhorar a circulação de veículos na região. No entanto, os moradores questionam a necessidade. “O tráfego aqui nunca foi um grande problema. Bastava uma boa sinalização ou manutenção das vias. Destruir a praça foi uma escolha que ignorou quem vive aqui”, criticou Bruna.
A ausência de consulta pública ou qualquer tentativa de ouvir a comunidade intensificou a indignação. “Progresso sem ouvir o povo não é progresso, é destruição”, completou.
O vereador Gileninho Sampaio também expressou sua tristeza. Ele destacou que a praça foi construída por iniciativa de seu pai, o ex-prefeito Gileno Sampaio (in memoriam), atendendo a um pedido dos próprios moradores. “É doloroso ver esse espaço, tão importante para a comunidade, ser demolido. Um estudo diferente poderia ter preservado a praça e evitado impactos nas casas e comércios próximos”, afirmou.
Enquanto as obras avançam, o Povoado Gavião tenta conviver com o vazio deixado pela perda. A praça, que já foi palco de risadas, celebrações e momentos simples do cotidiano, agora é apenas uma lembrança. Para os moradores, o que foi levado não é só um espaço físico, mas um pedaço da alma da comunidade. “O que sobrou é a saudade e a certeza de que decisões sem diálogo deixam cicatrizes”, desabafou Bruna.
