
Laura Beatriz iniciou o tratamento com cirurgia — Foto: Arquivo pessoal
A auxiliar administrativa Laura Beatriz Nascimento, de 26 anos, moradora de Brasília (DF), tornou-se um símbolo de alerta sobre os riscos do cigarro eletrônico após ser diagnosticada com câncer de pulmão em 2024. A jovem, que fumou vapes durante quatro anos, viralizou nas redes sociais ao compartilhar sua experiência e as graves consequências do vício em nicotina.
Apesar de o uso e a comercialização de cigarros eletrônicos serem proibidos no Brasil desde 2009, esses dispositivos seguem amplamente populares, principalmente entre os jovens. No caso de Laura, o hábito começou de forma esporádica com o cigarro comum na adolescência e ganhou força durante um intercâmbio na Nova Zelândia, onde passou a utilizar o vape junto ao cigarro tradicional e ao tabaco solto.
"Eu usava escondido dos meus pais para me sentir parte da galera", recorda. A situação se agravou durante e após a pandemia da Covid-19, especialmente em 2021, quando os chamados PODs se popularizaram no país. “Fumava em casa sem meus pais perceberem e até no trabalho. Se um acabava, eu já comprava outro. Foi assim até 2023”, relata.
Em 2024, Laura percebeu que não conseguia realizar tarefas cotidianas sem o cigarro eletrônico. Mesmo tentando reduzir o uso, ainda mantinha o hábito socialmente. “Duas semanas antes do diagnóstico, comprei um [POD] e disse para mim mesma que seria o último. No final das contas, acabou sendo mesmo”, lembra.
A suspeita de que algo não estava bem surgiu com uma tosse persistente e dores nas costas. “Lembrei da pneumonia que tive em 2019, mas, naquela época, meus pulmões estavam saudáveis”, conta. Ao procurar atendimento médico, uma tomografia revelou um nódulo no pulmão. Após exames adicionais, foi confirmado: tratava-se de um tumor carcinoide. Laura precisou passar por uma cirurgia de urgência em 23 de dezembro de 2024 para remover metade do pulmão direito.
“A internação foi horrível. Eu sentia muita dor por causa do dreno na caixa torácica”, desabafa. Após sete dias no hospital, ela recebeu a notícia mais esperada: o câncer não havia se espalhado. Com isso, ela seguirá em acompanhamento oncológico por cinco anos.
Transformando a dor em propósito, Laura decidiu usar o Instagram e o TikTok para alertar outros jovens sobre os riscos do cigarro eletrônico. “O fato de a nicotina ser uma droga legalizada torna tudo mais difícil. Tentar superar o vício enquanto há gente fumando em todo lugar é um desafio enorme”, destaca.
O caso de Laura Beatriz serve como um importante alerta sobre os perigos do cigarro eletrônico, que muitas vezes é visto como uma alternativa "mais segura", mas pode trazer consequências graves à saúde — até mesmo para jovens.
