
Prédios sem luz — Foto: Ariana Cubillos/ AP
Um vendaval sem precedentes atingiu a Grande São Paulo na quarta-feira (10) e continua causando transtornos significativos nesta quinta (11). Mais de 24 horas após o início das rajadas — que chegaram a 98,1 km/h na Lapa, Zona Oeste — quase 1,4 milhão de residências permanecem sem energia elétrica, sendo cerca de 1 milhão apenas na capital. No auge da ocorrência, mais de 2 milhões de imóveis ficaram às escuras simultaneamente.
Meteorologistas destacam que a duração e intensidade do fenômeno surpreendem e não têm registro semelhante na capital. A Defesa Civil atribui o evento aos efeitos de um ciclone extratropical formado no Sul do país.
A queda de energia comprometeu o funcionamento das bombas de distribuição de água da Sabesp, deixando bairros inteiros sem fornecimento. Na capital, regiões como Americanópolis, Cangaíba, Vila Formosa, Sacomã e Vila Romana continuam sem abastecimento. Na Grande São Paulo, cidades como Guarulhos, Mauá, Cajamar, Santa Isabel e Itapecerica da Serra seguem totalmente impactadas.
Quase 300 semáforos continuam apagados, a maioria por falta de energia. A CET aponta ainda árvores arrancadas pela ventania, que derrubaram fiações e agravaram os problemas viários. Desde quarta-feira, foram registradas ao menos 231 quedas de árvores.
Os aeroportos de Guarulhos e Congonhas acumulam 344 voos cancelados entre quarta e a manhã desta quinta. Passageiros enfrentaram filas, longas esperas, cancelamentos em série e até pernoites nos terminais. Os efeitos também são sentidos em aeroportos do Rio de Janeiro e Brasília.
O vendaval levou ao fechamento de parques importantes, como Ibirapuera, Horto Florestal, Cantareira e Eucaliptos. A expectativa é de reabertura ainda hoje, dependendo da estabilidade do cenário.
O setor de comércio e serviços contabiliza cerca de R$ 1,54 bilhão em perdas apenas entre quarta e quinta, segundo levantamento da FecomercioSP. Os serviços foram os mais atingidos, com prejuízo superior a R$ 1 bilhão.
O prefeito Ricardo Nunes afirmou que acionará a Aneel e recorrerá à Justiça para cobrar medidas sobre o contrato da Enel, distribuidora responsável pelo fornecimento de energia, retomando críticas que já vinham sendo feitas desde os apagões registrados em 2023.
Como forma de minimizar o impacto ao público, a Globo disponibilizou gratuitamente no Globoplay os capítulos de novelas exibidos na quarta, após muitos telespectadores ficarem impossibilitados de assistir devido à queda de energia.
