
Brazilian football legend Pele speaks during a meeting with Paris Saint-Germain (PSG) and France national football team forward Kylian Mbappe at the Hotel Lutetia in Paris on April 2, 2019. / AFP / FRANCK FIFE
O único estádio utilizado para futebol profissional no Brasil com homenagem a Pelé pode mudar de nome.
Está na Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa de Alagoas um projeto que retira a homenagem ao ex-jogador da seleção brasileira no maior estádio de Maceió. A ideia do deputado estadual Antonio Albuquerque (PTB) é que o Rei Pelé seja rebatizado como Rainha Marta, em homenagem à jogadora da seleção brasileira nascida no estado.
Dirigentes do futebol local não são entusiastas da ideia e o governador Renan Filho (MDB) não se manifestou. Alguns deles afirmaram à reportagem que Pelé é contrário à mudança e não ficou contente com a ideia. Porém, consultado pela reportagem, o ex-jogador disse apoiar a mudança de nome.
"A Marta é o Pelé de saias. Acho muito justa a homenagem. É uma pena que não poderei fazer uma tabelinha com ela na reinauguração", brincou ele, em declaração enviada por meio de sua assessoria.
Marta nasceu em Dois Riachos, cidade a 191 km da capital, onde ainda mora sua família. Ela esteve no estádio na estreia do CSA no Campeonato Brasileiro no último dia 1º, contra o Palmeiras. Antes da partida, a jogadora da seleção deu uma volta ao redor do gramado e posou para fotos com torcedores.
No ano passado, ela já havia comparecido em partidas da equipe na Série B. Uma delas em Caxias do Sul, contra o Juventude, sacramentou o acesso do time para a elite do país.
Ela já disse em entrevistas que quando está fora do país procura também pela internet por transmissões do CSA.
"A escolha de Pelé para o nome do estádio foi por causa do êxtase no país após a conquista da Copa de 1970. Mas não havia nenhum laço entre o homenageado e o estado. São fatos que devem ser analisados", afirma Antonio Albuquerque, autor do projeto.
O estádio foi inaugurado quatro meses após a conquista da seleção brasileira do Mundial no México, em outubro de 1970. Mas a construção havia sido iniciada dois anos antes. Pelé participou da primeira partida no campo, entre o Santos e um combinado de atletas de times alagoanos.

Marta nunca atuou profissionalmente no local que pode levar seu nome. Ela também nunca defendeu uma equipe do estado natal. Seu primeiro time foi o Vasco, no Rio.
Não é a primeira vez que existe a tentativa de rebatizar o local para Rainha Marta, eleita pela Fifa seis vezes a melhor jogadora do planeta.
Em 2008 já havia sido apresentado projeto idêntico ao de Albuquerque. Foi feito na época pelo deputado Temóteo Correa (DEM) e aprovado na Assembleia Legislativa por 15 votos a 6. Mas o governador Teotônio Vilela Filho (PSDB) vetou, sob a alegação que seria uma descortesia com Pelé alterar o nome do estádio. "Vejo como algo deselegante com o maior atleta da história", disse Vilela Filho.
Se desta vez a mudança emplacar, Marta será a primeira jogadora de futebol do país homenageada com um nome de estádio.
"Tem um longo caminho para isso [o projeto de lei] percorrer, mas não acredito que vai dar certo [a mudança de nome]. É uma história antiga isso e o pessoal fala muito", descarta Rafael Tenório, presidente do CSA, que manda seus jogos do Campeonato Brasileiro no campo e é suplente do senador Renan Calheiros (MDB-AL), pai do governador Renan Filho.
O estádio da capital alagoana é o único utilizado profissionalmente no país a homenagear Pelé. Parte disso é por causa de uma lei ignorada pelo governo do estado ao manter o nome do local e que pode ser lembrada em caso de alteração para Rainha Marta.
A lei federal 6.454, promulgada em 1977, proíbe a utilização de nomes de pessoas vivas para batizar qualquer bem público. Na época, o estádio alagoano já existia como Rei de Pelé e vai continuar assim, a não ser que o governo estadual decida mesmo por homenagear Marta.
Fonte: TNH1
