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União Europeia anuncia veto à carne brasileira; entenda

Rádio Sampaio com Metrópoles
Publicado 06/06/2026

Arte Metrópoles/Otávio Augusto

 

A decisão da União Europeia (UE) de retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar determinados produtos de origem animal para o bloco pegou o governo brasileiro de surpresa e abriu novo capítulo nas tensões comerciais envolvendo o setor agropecuário.

A medida, oficializada na sexta-feira (5/6) pela Comissão Europeia, pode interromper as exportações brasileiras de carne bovina, carne de frango, carne equina, pescado, mel e tripas para o mercado europeu a partir de 3 de setembro de 2026.

Mas, afinal, o que motivou a decisão?

Segundo a Comissão Europeia, o problema está relacionado ao cumprimento das regras sanitárias do bloco sobre o uso de determinados medicamentos antimicrobianos na produção animal.

O que a União Europeia exige

A legislação europeia proíbe a importação de produtos de origem animal provenientes de sistemas produtivos que utilizem determinados antimicrobianos para promover crescimento ou aumentar o rendimento dos animais.

Os antimicrobianos são substâncias usadas para prevenir e tratar infecções. Embora tenham finalidade veterinária legítima, alguns deles também podem ser empregados para acelerar o crescimento dos animais ou melhorar indicadores produtivos.

A UE vem endurecendo as regras sobre o tema nos últimos anos sob o argumento de que o uso excessivo desses medicamentos contribui para a resistência bacteriana — fenômeno considerado uma das principais ameaças globais à saúde pública.

As restrições estão previstas no artigo 118 do Regulamento Europeu 2019/6 e foram complementadas pelo Regulamento Delegado 2023/905, que estabelece condições específicas para que países terceiros possam continuar exportando produtos de origem animal ao mercado europeu.

Por que o Brasil foi retirado da lista

No regulamento publicado na sexta-feira, a Comissão Europeia afirma que não recebeu do Brasil informações e garantias suficientes para demonstrar que o país conseguirá cumprir integralmente as exigências até setembro de 2026.

O trecho que trata especificamente do Brasil afirma que a Comissão “não recebeu informações que garantam que o Brasil aplicou as medidas necessárias para assegurar o cumprimento” das regras europeias relativas aos antimicrobianos nas categorias afetadas.

Por essa razão, o país perdeu a habilitação para exportar ao bloco produtos das categorias bovinos, equídeos, aves de capoeira, aquicultura, mel e tripas.

Na prática, a exclusão significa que o Brasil deixará de constar da lista oficial de países autorizados a comercializar esses produtos com os 27 membros da União Europeia.

Mercosul segue parcialmente habilitado

Apesar da exclusão do Brasil, outros países do Mercosul permanecem autorizados a exportar produtos de origem animal ao mercado europeu.

Argentina, Paraguai e Uruguai continuam na lista de países considerados aptos pela Comissão Europeia para atender às exigências sanitárias do bloco.

Esse ponto chamou a atenção de autoridades brasileiras, uma vez que a decisão foi tomada poucos meses após o início da aplicação provisória do acordo comercial entre o bloco econômico e a União Europeia.

Há relação com o acordo Mercosul-UE?

Embora a coincidência temporal tenha levantado questionamentos, a avaliação predominante entre especialistas e integrantes do governo é que a medida está formalmente vinculada às exigências sanitárias da União Europeia, e não ao acordo comercial em si.

O regulamento publicado pela Comissão Europeia não faz qualquer referência ao tratado entre os blocos e fundamenta a decisão exclusivamente no cumprimento das regras relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção animal.

Ainda assim, a decisão tem potencial para gerar impacto econômico relevante. Estimativas do setor apontam que o Brasil poderá perder bilhões de dólares em exportações caso não consiga reverter a medida antes da entrada em vigor das restrições.

Próximos passos

A expectativa do governo é conseguir reverter a exclusão e recolocar o Brasil na lista de países habilitados antes de 3 de setembro, data em que as novas regras passam a produzir efeitos.

Até lá, produtos como carne bovina, carne de aves, pescado, mel e outros itens de origem animal continuarão aptos a ingressar normalmente no mercado europeu.

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