
Presidentes dos EUA, Donald Trump, e do Brasil, Lula — Foto: Chip Somodevilla / POOL / AFP e Brenno Carvalho / Agência O Globo
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (30) um decreto que eleva em 40% as tarifas sobre produtos brasileiros, totalizando uma alíquota de 50%. A medida entra em vigor no dia 6 de agosto e representa um forte agravamento nas relações bilaterais. Apesar do impacto, o decreto exclui diversos produtos estratégicos, como suco de laranja, aeronaves civis, petróleo, veículos e fertilizantes.
Segundo a Casa Branca, a decisão responde a ações do governo brasileiro que representariam uma “ameaça incomum e extraordinária” à segurança nacional, à economia e à política externa dos EUA. O governo americano acusa o Brasil de perseguição política, censura e intimidação a opositores, citando diretamente o ministro do STF Alexandre de Moraes como principal responsável por “graves abusos de direitos humanos”.
O comunicado menciona ainda a imposição de multas e sanções a empresas americanas que se recusaram a cumprir ordens judiciais brasileiras, além do congelamento de ativos e ameaças de processos criminais contra executivos. Um dos casos destacados é o do blogueiro Paulo Figueiredo, residente nos EUA e alvo de processo criminal por declarações feitas em solo americano.
A Casa Branca também reiterou o bloqueio de vistos para ministros do STF e seus familiares, incluindo Alexandre de Moraes, Barroso, Fachin, Cármen Lúcia, entre outros. Segundo o governo Trump, as medidas visam proteger a liberdade de expressão e os direitos de empresas americanas contra “censura forçada” de autoridades estrangeiras.
O Brasil tentou evitar as tarifas com negociações nas últimas semanas. O vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro da Fazenda Fernando Haddad buscaram diálogo, e o presidente Lula demonstrou disposição para contatar Trump diretamente, mas sem sucesso.
Especialistas apontam que os canais diplomáticos entre os dois países estão fragilizados. Para o governo brasileiro, as sanções configuram uma escalada sem precedentes e colocam em risco as relações comerciais e institucionais entre as duas maiores economias do continente.
