O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira (6) um acordo com farmacêuticas para reduzir consideravelmente o preço de canetas emagrecedoras nos EUA. Ainda não está claro o impacto da medida no Brasil.
Os medicamentos envolvidos na negociação são o Zepbound e o Wegovy, fabricados, respectivamente, pela Ely Lilly e Novo Nordisk.
Os medicamentos fazem parte de uma nova geração de remédios para obesidade conhecidos como agonistas do receptor GLP-1, que tiveram um aumento significativo de popularidade nos últimos anos.
No entanto, o acesso a esses medicamentos tem sido um problema constante para os pacientes devido ao seu custo — cerca de US$ 500 (R$ 2.680) por mês para doses mais altas —, e a cobertura dos planos de saúde nos EUA tem sido inconstante.
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Donald Trump assina despacho do Salão Oval da Casa Branca — Foto: Alex Brandon/AP Photo
A cobertura desses medicamentos para obesidade será expandida para pacientes do Medicare a partir do próximo ano, de acordo com o governo, que afirmou que alguns preços mais baixos também serão implementados gradualmente para pacientes sem cobertura. As doses iniciais das novas versões em comprimido dos tratamentos também custarão US$ 149 (cerca de R$ 800) por mês, caso sejam aprovadas.
O anúncio desta quinta-feira é a mais recente tentativa do governo Trump de conter a alta dos preços dos medicamentos, em seus esforços para lidar com as preocupações dos eleitores em relação ao custo de vida.
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Caneta emagrecedora Wegovy — Foto: Reprodução
Assim como nos outros acordos, não está claro o quanto a redução de preço será sentida pelos consumidores. Os preços dos medicamentos podem variar de acordo com a concorrência pelos tratamentos e a cobertura dos planos de saúde.
Os medicamentos para obesidade atuam direcionando hormônios no intestino e no cérebro que afetam o apetite e a sensação de saciedade. Em ensaios clínicos, eles ajudaram pessoas a perder entre 15% e 22% do peso corporal — até 23 kg ou mais em muitos casos.
Pacientes que tomam esses medicamentos geralmente começam com doses menores e aumentam gradualmente, dependendo de suas necessidades. Como a obesidade é considerada uma doença crônica, eles precisam tomar o tratamento indefinidamente ou correm o risco de recuperar o peso, dizem os especialistas.
Os tratamentos, que têm crescido rapidamente, provaram ser especialmente lucrativos para as farmacêuticas Eli Lilly and Co. e Novo Nordisk. A Lilly afirmou recentemente que as vendas do Zepbound triplicaram este ano, ultrapassando US$ 9 bilhões (R$ 48 bilhões).
O Medicare, programa de saúde financiado pelo governo federal, destinado principalmente a pessoas com 65 anos ou mais, não cobre os tratamentos para obesidade.
O antecessor do presidente Donald Trump, Joe Biden, propôs uma regra em novembro passado que mudaria isso. Mas o governo Trump a vetou na primavera passada. Poucos programas do Medicaid, financiados pelos governos estadual e federal, oferecem cobertura para pessoas de baixa renda para tratamento contra obesidade. Além disso, empregadores e seguradoras que oferecem planos de saúde privados hesitam em custear esses medicamentos, em parte devido ao grande número de pacientes que poderiam utilizá-los.
O preço mensal de US$ 500 para doses mais altas dos tratamentos também os torna inacessíveis para quem não possui plano de saúde.
O Medicare agora cobre o custo dos medicamentos para condições como diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares, mas não para perda de peso isoladamente.
