


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (21) a ampliação, por 90 dias, da cota de importação de carne bovina destinada à produção de carne moída. A medida permitirá a entrada de até 300 mil toneladas sem tarifas fora da cota e busca aumentar a oferta e conter os preços da carne no mercado norte-americano. Ainda não foi informado quais países serão beneficiados pela nova regra.
Segundo Trump, a carne importada poderá ser comercializada por um preço até 25% menor que o praticado atualmente nos Estados Unidos. A decisão ocorre em meio à alta dos preços e à redução do rebanho bovino americano, que está no menor nível em 75 anos.
Dados do Bureau of Labor Statistics apontam que o preço de uma libra de carne moída chegou a US$ 6,82 em junho, valor 79% superior ao registrado no início de 2019. A redução da oferta, combinada à demanda ainda elevada, contribuiu para a pressão sobre os preços.
O Brasil pode ser beneficiado pela mudança, mas os efeitos ainda dependem das regras que serão definidas pelo governo americano. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) informou que ainda aguarda detalhes oficiais sobre a medida e não sabe se o país será incluído na ampliação da cota.
Atualmente, o Brasil participa de uma cota compartilhada com outros fornecedores dos Estados Unidos. Depois que esse volume é preenchido, a carne brasileira continua podendo entrar no mercado americano, mas fica sujeita a uma tarifa extra-cota de 26,4%.
Os Estados Unidos são atualmente o segundo maior mercado para a carne bovina brasileira. Entre janeiro e julho de 2026, o Brasil exportou 233,8 mil toneladas do produto para o país, alta de 17,1% em relação ao mesmo período de 2025. A receita alcançou US$ 1,54 bilhão, crescimento de 33,1%.
Cerca de 50 frigoríficos brasileiros estão habilitados a exportar carne bovina para os Estados Unidos. A ampliação da cota, caso contemple o Brasil, poderá melhorar as condições de acesso ao mercado americano.
Apesar da expectativa de aumento da oferta, especialistas avaliam que ainda não é possível determinar o impacto da medida sobre o preço pago pelo consumidor. O resultado dependerá, entre outros fatores, da estratégia adotada pelas indústrias locais.
A medida também ocorre em um momento de dificuldades para o setor brasileiro, que registrou queda de 26% nos embarques de carne bovina em agosto, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Diante da alta dos preços nos Estados Unidos, Trump também determinou a abertura de uma investigação sobre os quatro maiores frigoríficos que atuam no país: JBS, National Beef, controlada pela Marfrig, Cargill e Tyson Foods. O presidente afirmou que o encarecimento da carne teria ocorrido por meio de conluio ilícito.
