
Ramagem segundo a responder aos questionamentos na Primeira Turma do STF.. Fellipe Sampaio/STF
O ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), foi interrogado nesta segunda-feira (9) pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, pelo também ministro Luiz Fux, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Ele foi o segundo a responder aos questionamentos na Primeira Turma do STF. O primeiro foi o ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Mauro Cid.
Após pouco menos de duas horas, o interrogatório de Ramagem foi encerrado. A sessão será retomada nesta terça-feira (10), quando será ouvido o almirante Almir Garnier Santos, ex-comandante da Marinha.
Alexandre Ramagem é um dos oito réus na ação penal 2.668, que trata da suposta tentativa de golpe arquitetada para manter o ex-presidente no poder após as eleições de 2022.
Em suas respostas, Ramagem criticou a investigação da Polícia Federal sobre a trama golpista. Ele disse que a PF induziu Procuradoria-Geral da República (PGR) e Supremo Tribunal Federal (STF) ao erro.
Ramagem disse ainda que tinha documentos sobre fraudes nas urnas, que se tratavam apenas de “anotações privadas”. Ele negou que, enquanto diretor da Abin, tenha interferido para comprovar fraudes nas eleições.
Ele ainda negou que, na Abin, tenha feito monitoramento de alguma autoridade, inclusive ministros do STF.
Mauro Cid
O tenente-coronel Mauro Cid afirmou nesta segunda-feira (9) que o ex-presidente Jair Bolsonaro recebeu, leu e solicitou alterações na chamada minuta do golpe. O documento tinha o objetivo de contestar os resultados das eleições de 2022 e impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo o ex-ajudante de ordens, Bolsonaro pediu a remoção de um trecho que determinava a prisão de autoridades. “Ele enxugou o documento. Basicamente, retirou as autoridades das prisões, somente o senhor ficaria como preso”, disse se referindo ao ministro Alexandre de Moraes, que conduz o processo.
Cid, que fechou acordo de colaboração, é o primeiro réu a ser interrogado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a tentativa de golpe de Estado em 2022. Durante suas declarações, disse que presenciou "grande parte dos fatos" relacionados à tentativa de golpe, mas não participou deles.
Ele também afirmou que o general Walter Braga Netto, vice na chapa que disputou a Presidência, era o ponto de apoio entre Bolsonaro e os acampamentos organizados por apoiadores em frente ao Quartel-General do Exército no Setor Militar Urbano (SMU), em Brasília. Segundo Cid, o general recebeu dinheiro para financiar os acampamentos.
