Sistema de saúde corre risco de entrar em colapso em Alagoas, apontam pesquisadores

Sistema de saúde alagoano pode entrar em colapso nas próximas semanas, aponta estudo da Ufal

Mesmo com a abertura de novos leitos para tratamento de pacientes com Covid-19 na rede pública, o sistema de saúde em Alagoas pode entrar em colapso nas próximas semanas. O alerta é do mais recente boletim do Observatório Alagoano de Políticas Públicas para Enfrentamento da Covid-19, publicado nesta segunda-feira (8).

Os pesquisadores avaliaram a situação da Covid-19 no estado até a 9ª Semana Epidemiológica de 2021, de 28 de fevereiro a 6 de março. Eles constataram que, em uma semana, Alagoas apresentou “um forte e rápido agravamento da pandemia de Covid-19”.

Entre os indicadores analisados, a ocupação hospitalar, principalmente os leitos de UTI, apresentou piora evidente ao longo da última semana. A ocupação ultrapassou a marca de 80%, o limite indicado pelo Comitê Científico do Consórcio Nordeste (C4NE) para a adoção de lockdown.

Tanto a oferta de leitos de UTI quanto a ocupação já ultrapassaram os níveis registrados na primeira onda de Covid-19 no estado.

Os pesquisadores alertam que se o estado mantiver a tendência de alta na demanda por leitos de Covid-19, o sistema de saúde não vai suportar.

“Portanto, mantida essa tendência, dentro de poucas semanas é plausível imaginar que a rede pública de saúde alagoana, que já vem registrando ocupações superiores a 80% de seus leitos de UTI, entrará em colapso, situação já observada em diversas regiões brasileiras onde pessoas estão morrendo sem se quer receber atendimento adequado”, diz trecho do relatório do Observatório.

Recomendações para evitar o colapso

Os pesquisadores do Observatório disseram que, como o número de pessoas vacinadas contra a Covid-19 em Alagoas ainda é baixo e as medidas restritivas adotadas não foram suficientes para conter o aumento de novos casos no estado, “a adoção de medidas de supressão é a única forma de conter o avanço da transmissão e evitar o colapso dos sistema de saúde alagoano”.

Eles também ressaltam que são necessárias políticas públicas de apoio aos trabalhadores e pequenos empresários.

“Em consonância com a recomendação do Subcomitê de Epidemiologia ligado ao (C4NE), entendemos que as medidas de restrição de circulação de pessoas e serviços não essenciais devem ser acompanhadas de ampla campanha de divulgação, orientação e fiscalização, para que as mesmas surtam os efeitos desejados. Ao mesmo tempo, considerando os impactos sócio-econômicos de tais medidas é urgente a implementação de políticas públicas de apoio à trabalhadores e pequenos empresários”.

Situação grave no interior

Como os pesquisadores alertaram na última semana, o interior ultrapassou Maceió em relação aos casos e óbitos por Covid-19. Arapiraca apresentou a maior incidência de casos e mortes por 100 mil habitantes em Alagoas.

Casos suspeitos em alta

A tendência de alta no número de casos suspeitos continua. E a proporção de resultados positivos entre os testes RT-PCR realizados pelo Laboratório Central (Lacen) também continua subindo, superando 65% de todos os exames divulgados na 9ª Semana Epidemiológica.

“Considerando esse resultado, aplicada essa proporção ao número de casos que aguardam investigação, teremos um incremento de mais de 8 mil casos, o que faria que o número de casos registrados na 9ª SE superasse o pico observado na primeira onda (6.811 casos)”, diz o levantamento.


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