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Durante sessão da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, realizada na última segunda-feira (8/9), o senador Izalci Lucas (PL-DF) trouxe à tona uma denúncia: mais de 500 mil crianças beneficiárias do Benefício de Prestação Continuada (BPC) teriam empréstimos consignados registrados em seus nomes sem autorização, envolvendo bilhões de reais em operações financeiras irregulares. A acusação, no entanto, não foi acompanhada de provas concretas pelo senador durante a sessão.
Ao ser questionado sobre o caso, o ex-ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, demonstrou surpresa e afirmou desconhecer a dimensão do problema. “Infelizmente, eu tô tomando conhecimento agora. Eu não tinha essa noção, eu sou absolutamente sincero ao senhor”, declarou Lupi, destacando que as denúncias recebidas pela ouvidoria do Ministério durante sua gestão foram encaminhadas para apuração pelos órgãos competentes.
A denúncia de Izalci Lucas também incluiu críticas à falta de fiscalização do INSS e ao processo de seleção de instituições financeiras para antecipação salarial de aposentados. Segundo o senador, uma única instituição, ligada à JBS, foi selecionada para operações que, inicialmente, não deveriam cobrar taxas, mas que posteriormente foram suspensas devido a cobranças irregulares. Ele apontou ainda que 97,7% dos débitos consultados apresentavam irregularidades, afetando 6,3 milhões de aposentados.
A CPMI do INSS, instalada para investigar fraudes em benefícios previdenciários, aprovou recentemente 56 requerimentos para aprofundar as apurações, incluindo a quebra de sigilos de entidades como a Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais (Contag) e o Sindicato Nacional dos Aposentados (Sindnapi), além de rastrear visitas de suspeitos ao Congresso. O colegiado também solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a prisão preventiva de 21 pessoas supostamente envolvidas, como o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
