
Rádio Itatiaia- Pablo Valadares/ Câmara dos Deputados
O presidente Lula (PT) afirmou nesta sexta-feira (29) que o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) usou as fake news sobre o Pix, no início do ano, para "defender o crime organizado."
"Está provado que o que ele estava fazendo era defender o crime organizado", afirmou o presidente. Lula não citou Nikolas nominalmente, mas falou que o deputado acusou o governo de querer taxar o meio de pagamento, o que gerou uma crise no governo e facilitou, segundo o presidente, a atuação de empresas associadas ao PCC.
A fake news atrapalhou a fiscalização de fintechs, como as envolvidas no suposto esquema de fraudes operado pelo PCC no setor de combustíveis. A afirmação foi feita na quinta-feira (28) pelo secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas.
Não há provas, no entanto, que Nikolas esteja envolvido. Barreirinhas disse que a operação mostrou quem se beneficiou com a revogação da norma que aumentava a fiscalização. "Essas fake news foram tão fortes, que, apesar de todo o esforço da Receita Federal, nós não conseguimos seguir essas mentiras, por conta da força de quem as impulsionava. [...] E as operações de hoje mostram quem ganhou com essas mentiras, com essas fake news", afirmou, em coletiva de imprensa.
"Você viu que um deputado, que eu não vou dizer o nome dele aqui, fez uma campanha contra uma mudança que a Receita Federal tentou fazer, que vai ser feito agora, porque naquele tempo a mudança era para combater o crime organizado"- disse Lula, sobre Nikolas, em entrevista.
Lula disse ainda que a investigação "vai mostrar a cara de quem faz parte do crime organizado nesse país". O presidente deu a declaração após ser questionado, em entrevista hoje cedo à Rádio Itatiaia, de Minas Gerais, se a operação é uma resposta às acusações da direita de que seu governo é ligado ao crime organizado.
Reação
Nikolas prometeu processar Lula pela acusação. A afirmação foi feita à colunista do UOL Raquel Landim. O deputado afirmou que o presidente "cometeu a canalhice de afirmar, dolosamente e sem prova nenhuma, que eu defendi o crime organizado".
