
Imagem: divulgação
Na manhã de hoje (30), o engenheiro mecatrônico Arthur Cavalcante, que trabalhou durante três anos nos bairros afetados pela mineração da Braskem, nos bairros de Maceió, afirmou que a situação é praticamente irreversível e explicou que a mina 18, que está prestes a colapsar, no bairro Mutange, estava entre as prioritárias para serem fechadas, mas haviam outras em situações mais críticas.
Segundo o engenheiro, o trabalho de fechamento das minas é feito com areia, com uma profundidade média de um quilômetro a um quilômetro e meio. “A região que está supostamente vazia acomoda água, chamada de salmoura, que está em contato com a região da câmara de sal. A mina fica lá, e o sistema de enchimento retira a salmoura, injetando areia”, explicou, em entrevista à TV Pajuçara.
Ele também disse que as cavidades estão ficando mais próximas da superfície. “Cada ano que se passa, as cavidades vão chegando mais próximas da superfície, se deslocando para cima. Então algumas que foram desativadas anos atrás com 800m estão com 720m, ou seja, a cada dia que passa estão mais próximas”, declarou.
À Rádio Mix, de Maceió, o professor Abel Galindo Marques disse que caberia um Maracanã inteiro no subsolo onde estão a mina 18 e outras duas ao lado dela. O docente informou que há uma grande probabilidade das minas vizinhas serem afetadas com o colapso da primeira.
Além disso, Galindo também explicou que, com o desastre, pode haver a formação de um lago com profundidade entre 8 e 10 metros. “As minas vão subindo e, se o teto desabar, agora, formaria um grande lago com dimensões grandes, que compreenderia a lagoa até a barreira das encostas”, afirmou.
A Defesa Civil informou que o evento será um desastre ambiental sem precedentes e que, caso o teto da mina 18 desabe, pode haver uma salinização da lagoa Mundaú, em decorrência do contato com os fluídos que existem dentro da mina. A mina está 60% dentro da lagoa e 40% fora. A depender do tamanho do impacto, toda a área de mangue da região pode ser afetada, assim como outras cidades que possuem contato com a lagoa.
A Secretaria Municipal de Educação (Semed) confirmou que seis unidades escolares da capital estão prontas para receberem famílias que precisaram sair de suas casas no Mutange.
