
Reprodução SBT News
Autoridades reguladoras do Reino Unido estão investigando o Telegram após encontrarem indícios de que alguns usuários compartilhavam material de abuso sexual infantil na plataforma.
A Ofcom, órgão regulador de mídia do país, informou na terça-feira que está avaliando se o Telegram cumpre suas obrigações previstas na Lei de Segurança Online, que exige que as plataformas impeçam a disseminação desse tipo de conteúdo.
O órgão afirmou que iniciou a investigação depois que o Canadian Centre for Child Protection disse ter encontrado evidências de material de abuso sexual infantil (CSAM, na sigla em inglês) no Telegram. Um representante da plataforma, com sede em Dubai, não respondeu aos pedidos de comentário.
O Telegram, que tem mais de 1 bilhão de usuários ativos, enfatiza a privacidade das contas e tem histórico de resistência a solicitações de dados feitas por governos. Isso tornou a plataforma popular para grupos que atuam à margem de leis e normas estabelecidas — de manifestantes organizados contra governos repressivos a extremistas e criminosos — e tem gerado críticas de autoridades em todo o mundo.
O diretor-executivo Pavel Durov foi indiciado na França em 2024 sob alegações de que teria sido conivente com a disseminação de imagens sexuais de crianças e outros crimes em sua plataforma. Desde então, Durov prometeu melhorar a forma como o Telegram lida com conteúdos ilegais e nocivos e afirmou que facilitará o envio de solicitações por parte das autoridades ao aplicativo.
Nesta fase, a Ofcom vai reunir provas, e o Telegram terá a oportunidade de se manifestar. Se, ao final, concluir que a empresa violou a lei, o regulador pode aplicar uma multa de até 10% da receita global da plataforma. O órgão também patrocinou uma pesquisa com pessoas que armazenam e comercializam material de abuso infantil, na qual os autores citaram o Telegram como uma ferramenta crucial.
O regulador também está analisando dois sites de chat voltados a adolescentes, diante de preocupações de que criminosos estejam usando essas plataformas para aliciar menores.
