Quilombola lança livro sobre a organização social e política do Quilombo dos Palmares, em AL

Livro traz um resumo da história de Zumbi dos Palmares, Ganga Zumba e Aqualtune — Foto: Vivi Leão/G1

Um dos mais emblemáticos do Brasil Colônia, o Quilombo dos Palmares, em Alagoas, recebeu milhares de mulheres e homens negros. A história do povo escravizado e refugiado em mocambos e quilombos já foi contada em diferentes livros, de diferentes formas. Contudo, o pesquisador e quilombola alagoano Zezito Araújo decidiu que era hora de recontar a história dando aos heróis do anonimato o devido protagonismo.

No Dia da Consciência Negra, celebrado nesta sexta-feira (20), o G1 publica uma entrevista com o autor de ‘Quilombo dos Palmares: Negociação e Conflitos’. Zezito explica que a obra nasceu do anseio de apresentar a história de trabalhadores escravizados, que contribuíram de forma sistemática para o avanço da economia no período colonial. Zumbi, Ganga Zumba e Aqualtune ganham destaque no enredo.

“Tentei escrever um livro bem didático. Nele, faço uma nova narrativa sobre o Quilombo dos Palmares, mostrando que ele é o resultado das experiências organizacionais das civilizações africanas. Eu mostro como se deu essa organização quilombola, sob o comando de Aqualtune [mãe de Ganga Zumba e fundadora do Quilombo dos Palmares]. Para entender a história do Brasil, é preciso entender a história do Quilombo dos Palmares além da escrita oficial”, disse o escritor.

No livro, Zezito destaca a organização social e política quilombola.

“O Quilombo é sempre visto como escravizado x colonizador, mas eu trago nesse livro que o que predominou no Quilombo dos Palmares foi o processo de negociação. Os Mocambos eram a base da economia do Brasil Colônia. Os engenhos não produziam os alimentos, então os Mocambos produziam e negociavam com os donos desses engenhos”, explicou o autor.

Além da resistência, Zezito destaca no livro um outro aspecto dos trabalhadores negros do Brasil colonial: a resiliência.

“Eles tinham uma capacidade muito grande de se reinventar. O livro passa a rever alguns conceitos, como, por exemplo, eles eram chamados de escravos, mas, na verdade, eles eram trabalhadores escravizados. Eu ponho esses homens e essas mulheres como protagonistas da história do Brasil Colônia. O Quilombo dos Palmares não era um refúgio de negros fujões, e sim, uma organização social criada por homens e mulheres, que produziram riquezas tanto no espaço quilombola, quanto no espaço opressor (engenhos). Eles vieram para o Brasil para salvar a economia e povoar o território brasileiro”, completou Zezito.

Inicialmente, 100 livros foram publicados pelas editoras EdUneal e Cesmac. A previsão é que mais livros sejam publicados em breve.

“O Sebrae deve publicar mais 500 exemplares. Os que já foram publicados vão estar na Serra da Barriga para que os visitantes possam lê-lo. O próximo, bem, já comecei a escrevê-lo (risos). É um livro sobre a Serra da Barriga e até abril a gente deve lançar ele”.


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