


Há algo de singular quando o calendário anuncia a chegada de mais uma eleição. As ruas parecem ganhar outra cor, as conversas mudam de assunto nas calçadas, nas feiras, nos cafés e até nas mesas de família. De repente, todos têm uma opinião, uma expectativa ou uma lembrança de pleitos passados. A política, que durante tanto tempo parece distante, volta a bater à porta de cada cidadão.
Em Alagoas, esse tempo já começou.
As convenções partidárias estão em curso. Os partidos homologam seus candidatos, consolidam suas chapas e dão início a uma nova etapa da vida democrática. Os discursos ganham corpo, as propostas passam a ocupar espaço no cotidiano e as promessas voltam a despertar esperanças, questionamentos e debates. É o momento em que a democracia se movimenta e convida o eleitor a refletir sobre o futuro.
São pouco mais de dois milhões de eleitores espalhados pelos quatro cantos da Terra dos Marechais. Gente do litoral ao sertão, dos coqueirais às serras, das pequenas comunidades rurais às cidades mais movimentadas. Cada um carregando uma história, uma necessidade e um sonho diferente. E é justamente essa diversidade que faz da democracia uma das maiores construções da vida em sociedade.
Em outubro, esses homens e mulheres decidirão quem conduzirá os destinos do Brasil na Presidência da República e quem governará Alagoas pelos próximos quatro anos. Também escolherão seus representantes no Senado Federal, na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa, confiando a eles a missão de legislar, fiscalizar e defender os interesses da população. Mais do que preencher cargos, o eleitor estará escrevendo um novo capítulo da história do país e do Estado.
É curioso perceber que o voto pesa muito menos na mão do que na consciência. São apenas alguns segundos diante da urna eletrônica, mas suas consequências acompanham o Estado e o Brasil por anos. Um gesto simples que pode abrir caminhos para o progresso ou prolongar dificuldades que há muito tempo desafiam nossa terra.
A política continuará sendo imperfeita, porque é feita por seres humanos. Ainda assim, ela permanece sendo o instrumento mais legítimo para transformar a realidade quando conduzida com honestidade, competência e compromisso público.
Que esta campanha seja marcada menos pelos ataques e mais pelas ideias, menos pelas ofensas e mais pelas propostas, menos pelo personalismo e mais pelo interesse coletivo. Afinal, adversários disputam eleições, não a dignidade uns dos outros.
Quando outubro finalmente chegar e o silêncio tomar conta das urnas após o último voto, não serão os jingles, as bandeiras ou os palanques que permanecerão. Permanecerá a decisão soberana de um povo que, mais uma vez, escreverá um novo capítulo da história.
E como toda boa história, ela será lembrada não apenas pelos que venceram, mas pela consciência de quem escolheu. Porque o futuro de uma nação e de uma terra não nasce dos discursos de campanha, nasce da responsabilidade de um eleitor que compreende que seu voto vale muito mais do que uma promessa. Vale o destino do Brasil e de Alagoas, da terra onde há coqueirais, onde ecoa a memória dos marechais e onde um povo trabalhador continua acreditando que os melhores dias sempre podem estar logo ali, depois da próxima escolha.
Por: Helvio Peixoto.
