
Foto: reprodução/Portal Gov.br
Em um movimento polêmico que divide ambientalistas e produtores rurais, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e a Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio) propuseram classificar espécies como tilápia, pinus, eucalipto, manga e jaca como "ameaças graves" à biodiversidade brasileira. A minuta da Lista Nacional Oficial de Espécies Exóticas Invasoras, divulgada em outubro, alerta para riscos de invasão ecológica, mas enfrenta críticas veementes por potencialmente sabotar setores econômicos vitais, como a aquicultura e a fruticultura.
A proposta, elaborada pela Conabio e vinculada ao MMA sob a gestão de Marina Silva, visa atualizar a legislação ambiental para combater a disseminação de espécies exóticas que, segundo o texto, podem "desestabilizar ecossistemas nativos" ao competir com flora e fauna locais. A tilápia, por exemplo, peixe que responde por 68% da produção nacional de piscicultura, é apontada como invasora em rios e lagos, ameaçando espécies endêmicas.
Já árvores como pinus e eucalipto, pilares da silvicultura brasileira, e frutas como manga, jaca e goiaba, seriam restringidas em plantios, sob o risco de multas e proibições em áreas de preservação.
O anúncio gerou reações imediatas. A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) cobrou revisão urgente da minuta, alegando "falta de base científica" e confusão entre espécies cultivadas e verdadeiras invasoras. Segundo o deputado federal Pedro Lupion, é um absurdo classificar a tilápia e frutas como manga e jaca como “espécies invasoras”, isso pode destruir empregos e a economia rural.
Setores como a aquicultura preveem prejuízos bilionários, com o cultivo de tilápia gerando R$ 10 bilhões anuais. A carcinicultura, afetada pela inclusão do camarão na lista preliminar, também clama por diálogo.
Defensores da medida, no entanto, enfatizam a urgência ambiental. "Essas espécies, introduzidas para fins econômicos, escapam do controle e alteram biomas como a Mata Atlântica e a Amazônia", argumenta relatório da Conabio.
Especialistas em biodiversidade alertam que invasoras já custam bilhões em danos globais anuais, e o Brasil, com sua megadiversidade, não pode ignorar o problema.
A decisão final, prevista para os próximos meses após consultas públicas, equilibra preservação e produção. Enquanto o debate ferve no Congresso e nas redes, produtores pedem equilíbrio: "Queremos sustentabilidade, mas sem sacrificar o prato do brasileiro", resume a Associação Brasileira de Piscicultura. A pergunta que fica no setor é inevitável: Estamos protegendo o meio ambiente ou destruindo quem produz?
