


Hoje (9), o parlamento da Coreia do Sul aprovou um projeto de lei que proíbe a distribuição e venda de alimentos que tenham sido elaborados ou processados com ingredientes caninos. Com isso, o PL visa acabar com a criação e o abate de cães para consumo, prática que era tradicional em alguns países asiáticos.
O projeto de lei foi apoiado de maneira bipartidária em todo o quadro político sul-coreano, e foi respaldado inclusive pela primeira-dama Kim Keon Hee, que é dona de vários cachorros e visitou uma organização de proteção animal durante uma visita à Holanda, em dezembro de 2023. Agora, a decisão final de aprovação está nas mãos do presidente Yoon Suk Yeol.
Se aprovado pelo presidente, qualquer pessoa que abater um cachorro para comer pode ser punida com até três anos de prisão ou com uma multa de até 30 milhões de won coreanos, que equivalem a cerca de R$ 112 mil.
Aqueles que consumirem a carne não estarão sujeitos a punição, mas quem criar cães para comer ou que, de maneira consciente, adquira, transporte, armazene ou venda alimentos feitos com cães, pode receber uma multa e até ser preso.
Atualmente, a Coreia do Sul tem, aproximadamente, 1.100 fazendas de cachorros operando para fins alimentares. Cerca de meio milhão de cães são criados nesses locais, segundo o Ministério da Agricultura, Alimentação e Assuntos Rurais do país.
Com a aprovação do PL, os proprietários dessas fazendas, assim como os donos de restaurante de carne de cachorro e outros trabalhadores do mesmo ramo terão um período de três anos para fechar ou mudar de negócio. Para que isso ocorra, os governos locais serão obrigados a apoiar a transição “estável” para outros negócios.
Estatísticas
Houve uma diminuição no número de sul-coreanos que consomem carne de cachorro. Em 2022, uma pesquisa feita pela Gallup Coreia mostrou que 64% dos entrevistados eram contra o consumo desse tipo de alimento. Naquele mesmo ano, apenas 8% das pessoas entrevistadas comeram carne de cachorro, enquanto em 2015 foram 27%.
Entre os anos de 2005 e 2014, o número de restaurantes sul-coreanos na capital Seul caiu 40%, em decorrência da diminuição da procura. Em paralelo a isso, a adoção de cães como animais de estimação cresceu.