Prioridade de presos na vacinação contra a Covid é criticada por deputados estaduais de Alagoas

Prioridade de presos na vacinação contra a Covid é criticada por deputados estaduais de Alagoas

Deputados estaduais de Alagoas criticaram, em sessão plenária nesta terça-feira (4), a inclusão de presidiários no novo cronograma de vacinação contra a Covid-19. A medida vai beneficiar quase 5 mil pessoas recolhidas nas unidades prisionais, de acordo com a última atualização do mapa carcerário, feita em fevereiro deste ano.

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) justificou que a vacinação segue o plano Nacional de Imunização (PNI), baseado na vulnerabilidade dessas pessoas. Com critérios de priorização dentro de cada um desses grupos, para vacinação escalonada por idade ou por condição de saúde, “por conta de não dispor de doses de vacinas imediatas para vacinar todos os grupos em etapa única”.

A deputada Jó Pereira (MDB) disse reconhece a necessidade da imunização dos presidiários, mas argumenta que a vacinação deve priorizar os trabalhadores que precisam pegar ônibus lotados e “livres da fiscalização do poder público”.

“Os presos precisam ser vacinados, sim, mas os trabalhadores que enfrentam diariamente aglomerações nos ônibus também precisam. Vamos conquistar essa prioridade em nome da ciência e da defesa dos direitos humanos. Parece que esses trabalhadores não existem, que são pessoas imunes ao risco do contágio. Até quando veremos esse descaso? São todos culpados, todos omissos”, disse a deputada Jó Pereira.

O deputado Davi Maia (DEM) também desaprovou a vacinação prioritária dos presos. “Lá [no PNI] eles estão no 17º lugar da lista, antes deles temos uma relação de pessoas que precisam ser vacinadas. O governador já burlou o PNI outras vezes, vacinando pessoas que não estão no plano, agora concorda com a vacinação de presos, antes das comorbidades. Isso não podemos aceitar”.

Para o líder do Governo na Assembleia Legislativa, deputado Silvio Camelo (PV), o problema das prioridades só existe porque o Governo Federal não adquiriu as vacinas com antecedência.

“O correto era ter vacinas para todos os brasileiros. Enquanto se estava negando a vacina, outros países investiam na ciência. Hoje o Ministério da Saúde dita como os estados e municípios devem vacinar sua população. É isso que o Estado de Alagoas vem fazendo, se não for desta forma, o Ministério Público pode obrigar o Estado a seguir o PNI”, afirmou.

Quem também usou do Plenário para criticar o Governo Federal foi o deputado Ronaldo Medeiros (MDB). “Bolsonaro não comprou vacina, não reconhece a ciência e por isso não foi vacinado, aglomera e não usou máscara por um bom tempo. Ele não tomou as medidas necessárias para proteger o povo brasileiro e é por isso que estamos discutindo hoje quem é ou não prioridade na vacinação”, destacou.

Grupos prioritários do PNI

A Sesau esclarece que, após a vacinação das pessoas com 60 anos ou mais, trabalhadores da saúde, povo indígenas, quilombolas e ribeirinhos, o PNI preconiza:

  • Pessoas com comorbidades

  • Gestantes e puérperas

  • Pessoas com deficiência permanente

  • Pessoas em situação de rua

  • População privada de liberdade

  • Funcionários do Sistema de Privação de Liberdade (sistema prisional)

  • Trabalhadores da Educação do Ensino Básico (creche, pré-escolas, ensino fundamental, ensino médio, profissionalizantes e Educação de Jovens e Adultos – EJA)

O novo calendário de vacinação (com datas e cronogramas para cada idade e grupo) será definido pelas prefeituras assim que elas receberem as remessas com as doses.

“Vacinar os presos e profissionais do sistema prisional é preconizado na Campanha Nacional de Vacinação e nós temos que vacinar a todos, sim, até porque quem está recluso de liberdade está sob a tutela do Estado. Essas pessoas também precisam ser vacinadas. Nós vamos seguir com a vacinação de toda a população e seguir com Alagoas dando exemplo de vacinação ao Brasil”, disse o governador Renan Filho (MDB).


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