


O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, afirmou nesta segunda-feira (17) que o Pix “virou um patrimônio da sociedade brasileira” ao ser questionado sobre as críticas dos Estados Unidos ao modelo e sobre os planos para ampliar sua integração com plataformas estrangeiras.
“O BC, sim, está sempre na linha de frente em defesa dele, mas ele virou um patrimônio da sociedade brasileira. É uma coisa que a sociedade defende e estão saindo cada vez mais pesquisas sobre o quanto a sociedade acredita no Pix, confia no Pix.”, afirmou durante a 27ª Conferência Anual do Santander, em São Paulo.
A fala ocorre em meio ao aumento da pressão dos Estados Unidos sobre o sistema de pagamento brasileiro. O processo, conduzido com base na Seção 301 da legislação comercial dos EUA, serviu de fundamento para a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre parte das importações brasileiras.
O Pix apareceu especificamente nos questionamentos americanos sobre o setor de pagamentos. Entre os pontos levantados por Washington está o fato de o BC atuar tanto na regulação quanto na operação da infraestrutura do sistema, que ampliou sua participação no mercado brasileiro e reduziu espaço ocupado anteriormente por outros meios de pagamento, inclusive as redes de cartões.
Galípolo não entrou diretamente no mérito das acusações americanas durante o evento, mas fez uma defesa enfática do modelo e afirmou que o interesse pelo Pix ultrapassou as fronteiras brasileiras.
Lançado em 2020, o Pix alcançou quase 80 bilhões de transações em 2025, alta de 25,7% sobre o ano anterior, com movimentação superior a R$ 35 trilhões. Os pagamentos de consumidores para empresas responderam por 43% das operações no ano passado, ante 6% no primeiro ano de funcionamento do sistema.
