Presa na Itália, Zambelli participa de audiência na Câmara e troca acusações com hacker

Por: Rádio Sampaio com G1
 / Publicado em 10/09/2025

Deputada licenciada Carla Zambelli participa remotamente de audiência na Câmara — Foto: Reprodução/TV Câmara

Detida em uma penitenciária da Itália, a deputada federal licenciada Carla Zambelli (PL-SP) participou nesta quarta-feira (10), por videoconferência, de uma reunião na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara.

A audiência, que marcou o início da análise de um processo que pode confirmar a perda de mandato da parlamentar,  registrou trocas de acusações entre Zambelli e o hacker Walter Delgatti, além de questionamentos da deputada sobre a sanidade do hacker.

Carla Zambelli e Delgatti foram condenados à prisão, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por uma invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Não há mais recursos.

Antes de a condenação do Supremo se tornar definitiva, Carla Zambelli fugiu para a Itália, o que levou a parlamentar a ser incluída na difusão vermelha da Interpol.

Em julho, a deputada foi presa nos arredores de Roma. Alvo de um processo de extradição, Carla Zambelli aguarda decisão do caso detida na penitenciária feminina de Rebibbia.

Diretamente da Itália, ao longo da audiência na manhã desta quarta, Zambelli foi autorizada a fazer perguntas a Delgatti. Na primeira oportunidade, a deputada rebateu acusações, acusou de estar mentindo e questionou problemas de saúde do hacker.

Em sua fala inicial, Walter Delgatti afirmou que a invasão aos sistemas do CNJ ocorreram a pedido da deputada e que ele teria se hospedado na casa da parlamentar, em Brasília. Segundo ele, Carla Zambelli "exerceu o comando direto sobre os crimes".

A deputada afirmou que todo o processo ao qual foi condenada se baseia em uma espécie de "disse-me-disse". Um dos pontos investigados na ação, que trata da inserção de mandados de prisão falsos em um sistema do CNJ, foi questionado por Zambelli.

Carla Zambelli afirmou que Delgatti é um "mitomaníaco" e chegou a questionar a sanidade mental do hacker, fazendo menção ao uso de medicamentos para tratar um Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).

"O senhor não está sabendo do que está falando. Você acha que sabe do que está falando, Walter, porque a todo momento, desde que conheci você, você sempre sabe o que está falando, como se tudo o que você dissesse fosse verdade. Você é um mitomaníaco", disse.

"Acredita quem quiser acreditar em mim. Quem quiser acreditar em você, acredita. Todo esse processo é baseado no fato de que: ou a pessoa acredita no Walter, ou a pessoa acredita na Carla", afirmou a deputada.

Por ter sido condenada criminalmente em decisão definitiva, a Câmara precisa dar aval à perda do seu mandato. Em razão da fuga de Zambelli para a Itália, o relator e a defesa consideram o caso inédito na Casa.

Pelas regras da Câmara, a análise sobre a perda do mandato começa pela CCJ, e o resultado da comissão é submetido ao plenário da Câmara. Para que o mandato de Zambelli seja cassado, será necessário o apoio de ao menos 257 deputados, o equivalente à maioria absoluta da Casa.

Segundo a defesa de Zambelli, a justiça italiana autorizou a participação remota da deputada na oitiva de duas testemunhas:

  • do hacker Walter Delgatti, também condenada pela invasão ao CNJ;
  • e de Michel Spiero, assistente técnico da defesa na ação penal.

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