
Braguinha é prefeito reeleito de Santa Quitéria. Foto: Ministério Público
O prefeito reeleito de Santa Quitéria, interior do Ceará, José Braga Barrozo (PSB), foi preso na quarta-feira (1º). Ele é acusado de ter feito um acordo com o Comando Vermelho para coagir eleitores e, como pagamento, a facção teria recebido um carro de luxo - diretamente enviado da cidade cearense ao Rio de Janeiro.
A prisão do prefeito, que é conhecido por Braguinha, foi decretada pelo TRE (Tribunal Regional Eleitoral) do Ceará, que ainda determinou o afastamento do cargo e ordenou uma busca e apreensão na casa do prefeito. As medidas foram cumpridas pela PF. O vice-prefeito não foi preso, mas afastado do cargo. Outras 7 pessoas tiveram mandados de prisão expedidos.
O MPE (Ministério Público Eleitoral) já entrou com ação pedindo a cassação da chapa, acusando o prefeito de crimes eleitorais.
Segundo o TRE, a decisão judicial que mandou prender os oito suspeitos ocorreu porque há "graves violações à ordem pública, exigindo medidas rigorosas para garantir a investigação e preservar a integridade do processo eleitoral".
Com o afastamento, o filho de Braguinha, o vereador Joel Madeira Barroso (PSB), que foi eleito presidente da Câmara nesta quarta-feira, assumiu o cargo de forma interina por ser o primeiro na linha sucessória.
Em nota enviada à TV Globo, o prefeito diz que "foi notificado e não há decisão judicial sobre e que "qualquer afirmação sem o devido esclarecimento do processo legal é precipitada e não condiz com a verdade”.
Carro levado ao Rio marca acordo
Segundo a representação pela prisão feitas pelas Polícias Civil e Federal, a qual a coluna do jornalista Carlos Madeiro (UOL) teve acesso, há "indícios robustos de diversos crimes eleitorais, aparentemente praticados por integrantes de organização criminosa armada, com participação de agentes públicos".
O veículo era um Eclipse de cor branca, e teria sido dado a um líder da facção identificado como Anastácio Paiva.
Intimidações
Logo após o carro ser levado ao Rio, a polícia diz que começaram as intimidações. A representação cita que, no dia 9 de agosto, um integrante do CV enviou uma "mensagem de cunho geral para todos os membros da facção”.
O recado era claro: quem não apoiasse os grupos políticos indicados por ele "iria sofrer retaliações", com possibilidade de "tocar fogo, dar tiros e quebrar vidros de carros" Em alguns momentos, casas e muros foram pichados com ameaças a moradores que fizessem campanha para rivais do prefeito.
Ainda segundo as investigações, o CV ordenou a proibição de qualquer campanha eleitoral dos opositores do prefeito, em especial o candidato Tomás Figueiredo (MDB), que foi impedido de visitar eleitores e realizar atos de campanha.
O referido candidato relatou que, desde a primeira semana da campanha, foi impossibilitado de realizar eventos ou visitar eleitores, na medida em que membros de sua campanha foram ameaçados pelo CV desde o início, e eleitores temiam receber-lhe em suas residências, receosos de represálias por parte da facção.
Nem mesmo a Justiça Eleitoral ficou fora das ameaças, diz a representação. "Durante a reunião de treinamento de mesários, o Cartório Eleitoral de Santa Quitéria recebeu uma ligação de um integrante do Comando Vermelho, que ameaçou atacar a unidade do órgão e matar todos os servidores, caso a Justiça Eleitoral não cessasse as decisões desfavoráveis aos 'manos' do CV."
TRE-CE, em nota
