Polilaminina: Medicamento Brasileiro Promete Revolucionar Tratamento de Lesões Medulares

Por: Rádio Sampaio
 / Publicado em 10/09/2025

Foto: Divulgação

Após 25 anos de pesquisa, a professora Tatiana Coelho de Sampaio, do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, desenvolveu a polilaminina, um medicamento inovador que pode regenerar a medula espinhal.

Extraído da proteína laminina, presente na placenta humana, o fármaco atua como um "andaime molecular", estimulando neurônios a formar novos axônios e reconectar vias nervosas danificadas, oferecendo esperança para casos de paraplegia e tetraplegia, até então considerados irreversíveis.

Na fase experimental, conduzida em parceria com o laboratório Cristália, oito pacientes com lesões medulares recentes receberam injeções do medicamento diretamente na coluna. Resultados foram promissores: Bruno Drummond de Freitas, de 31 anos, tetraplégico após um acidente de carro em 2018, recuperou-se completamente em cinco meses, retomando uma rotina normal.

A atleta paralímpica Hawanna Cruz Ribeiro, de 27 anos, que ficou tetraplégica em 2017, recuperou 60% a 70% do controle do tronco após o tratamento. Lesões mais antigas também mostraram melhoras, embora dependam da reabilitação pós-operatória.

A polilaminina, testada com sucesso em animais, como o cão Teodoro, que voltou a andar, aguarda aprovação da Anvisa para ensaios clínicos ampliados. A agência solicita dados complementares de estudos pré-clínicos para garantir segurança antes de autorizar testes em maior escala.

Hospitais como o Hospital das Clínicas e a Santa Casa de São Paulo estão prontos para iniciar aplicações em pacientes com lesões recentes (até três meses) assim que liberado. A expectativa é que a autorização saia em cerca de um mês, mas a validação completa pode levar três anos.

A pesquisadora destaca que a polilaminina não causa efeitos colaterais, mas ressalva: “Não vendemos ilusões, trazemos evidências. Os resultados variam, sendo melhores quanto mais rápida a aplicação”.

O laboratório Cristália, que investiu R$ 28 milhões, já iniciou o processo de patente, que pode demorar anos. A descoberta é considerada um marco histórico, com potencial para transformar a medicina regenerativa.

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