Policiais inglesas se disfarçam durante corrida para flagrar assediadores

Por: Rádio Sampaio com Correio Braziliense
 / Publicado em 16/08/2025

Tudo foi pensado para que fosse possível mensurar a frequência com que os assédios contra as mulheres aconteciam em determinados pontos de Surrey - (crédito: Pixabay)

 

Oficiais de polícia foram encarregadas de se passarem por corredoras para flagrar assediadores durante momentos de exercício em espaços públicos. A empreitada, em uma operação piloto, foi elaborada pela polícia de Surrey, condado do sudeste da Inglaterra.

Segundo informações da rádio britânica LBC, a operação, que é realizada desde julho passado, já foi responsável por prender 18 homens. Eles foram denunciados por crimes como assédio, agressão sexual e roubo.

Tudo foi pensado para que fosse possível mensurar a frequência com que os assédios contra as mulheres ocorriam em determinados pontos de Surrey. O foco era ir a lugares onde os exercícios físicos são praticados com maior frequência. Por isso, algumas das policiais decidiram por se disfarçar de corredoras, como se estivessem, de fato, apenas praticado um exercício físico.

Duas das profissionais disfarçadas, de acordo com a LBC, foram abordadas em poucos minutos. Um homem em uma caminhonete, ao passar por elas, buzinou enquanto fazia gestos obscenos pela janela do veículo. A missão foi feita, além disso, durante horários de pico, para que as chances de flagra fossem maiores. E foi isso o que aconteceu.

O inspetor Jon Vale, responsável pela operação, afirmou, em entrevista à rádio britânica, que ocorrências do tipo são, infelizmente, muito comuns. Ele ainda constatou que, de acordo com pesquisa feita pelo corpo de polícia, quase metade das corredoras em uma área do condado se sentem desmotivadas a denunciar os assédios às autoridades. Ainda classificam as provocações como "muito comuns", feitas até mesmo contra policiais e funcionárias fora dos respectivos horários de trabalho.

O inspetor ainda ressalta que, mesmo em situações onde os atos não sejam criminais, precisam ser combatidos, pois podem um "enorme impacto no dia a dia das pessoas, e ainda impedir que mulheres façam atividades simples, como sair para correr". O profissional ainda afirmou ter mobilizado equipes distintas para realizar as prisões assim que os flagras aconteciam.

"É preciso se perguntar: aquela pessoa pode fazer alguma coisa? É um assediador sexual em potencial? Nós queremos identificar os riscos com antecedência, para evitar potenciais situações complicadas", afirmou, em entrevista à LBC. "Se trata de proteger mulheres e meninas em espaços públicos. Nós queremos que elas saibam que estamos aqui, e que levamos tudo isso muito à sério", acrescentou.

Abby Hayward, uma das policiais que atuou disfarçada, afirmou à rádio que a experiência vivida por ela reflete a realidade diária de muitas mulheres. "Esse comportamento é o prenúncio de algo mais sério, ou é ignorância e pode ser corrigido. É aí que entram as nossas intervenções: para impedir potenciais reincidentes ou ajudar as pessoas a entender que o que estão fazendo não é aceitável", afirmou.

Um estudo realizado pela Universidade de Manchester, divulgado em 2024, ressalta que mais de dois terços das mulheres entrevistadas na região noroeste da Inglaterra sofrem assédio durante os momentos de exercício físico, como as corridas. Os assédios incluem ameaças, abusos verbais e até agressões físicas.

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