Polícia pede exclusão de mais de 60 aprovados em concursos públicos de Alagoas por meio de fraudes

Por: Rádio Sampaio
 / Publicado em 18/05/2022

Polícia pede exclusão de mais de 60 aprovados em concursos públicos de Alagoas por meio de fraudes

A Polícia Civil solicitou à Justiça a exclusão de 61 candidatos aprovados por meio de fraudes em concursos da Polícia Civil, da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros de Alagoas, realizados em 2021. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (18) pelo delegado-geral da Polícia Civil, Gustavo Xavier, que deu detalhes das investigações que resultaram na Operação Loki.

17 pessoas foram presas ainda na primeira fase da investigação. As primeiras cinco prisões aconteceram em agosto do ano passado, quando os candidatos foram flagrados, em Maceió e Recife, durante as provas da Polícia Civil. Outras 12 pessoas foram presas na megaoperação deflagrada em outubro em Alagoas, Sergipe, Pernambuco e Paraíba. Com a conclusão do inquérito, foram indiciadas 77 pessoas.

Com os primeiros presos, foram apreendidos pontos eletrônicos que seriam utilizados para receber as respostas das questões das provas. "Com base nessas apreensões, nós fizemos a extração desses dados e, consequentemente, obtivemos diversos elementos que materializaram o início da investigação", explicou o delegado Gustavo Xavier.

Os investigadores esclareceram que nem todos os envolvidos nas fraudes conseguiram aprovação. Alguns, mesmo fazendo uso de ponto eletrônico e outros meios ilícitos, foram eliminados dos concursos. Ao todo, foram pedidos 73 afastamentos, considerando também os candidatos eliminados.

Entre os aprovados apontados como fraudadores pela investigação, 36 já haviam sido afastados antes pela Justiça Cível. Porém, por meio de recurso, alguns candidatos conseguiram retornar ao certame. Por isso, a Polícia Civil decidiu solicitar o afastamento de todos os envolvidos.

"Nessa lista de candidatos afastados estão aqueles eliminados. Por exemplo, o candidato que teve altíssima pontuação no cargo de agente da Polícia Civil, mas foi reprovado na redação. Mesmo assim nós pedimos judicialmente o afastamento desse candidato porque ele poderia, em um recurso, conseguir reverter a nota menor dele e voltar ao certame", destacou o delegado José Carlos Reis.

Os concursos chegaram a ser suspensos durante as investigações e o governo do Estado anunciou que eles seriam refeitos do início. Contudo, decisões judiciais obrigaram que eles fossem retomados de onde pararam e os certames tiveram continuidade.

Para a polícia, com o afastamento dos aprovados, não há necessidade de anulação das provas. “Nós conseguimos expurgar pessoas que teriam relação direta ou indireta com a fraude de todos os concursos, Polícia Civil, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros Militar de Alagoas”, explicou o delegado Gustavo Xavier.

Os investigados, incluindo os candidatos que pagaram pelo esquema criminoso, foram indiciados por fraude em concurso público qualificado, que é aquela fraude que causa prejuízo à administração pública, e por organização criminosa.

Entre os presos e indiciados na Operação Loki está o ex-policial militar alagoano apontado como chefe da organização criminosa, Flávio Luciano Borges Nascimento. Segundo a Polícia Civil, alguns dos presos conseguiram na Justiça o direito de responder aos crimes em liberdade.

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