
Polícia investiga suposta seleção de emprego para hospitais públicos de Alagoas
A Polícia Civil de Alagoas começou a investigar denúncias sobre uma mulher que teria aplicado o golpe do emprego em centenas de pessoas. Várias vítimas teriam efetuado pagamentos, que chegam a até R$ 3 mil, para garantir a participação na seleção para uma das vagas que eram oferecidas em instituições de saúde da rede pública.
Segundo a polícia, as vítimas descobriram que teriam caído em uma fraude na véspera de iniciar nos supostos empregos, após se submeterem a processos de treinamentos, exames e apresentação de documentação.
De acordo com o delegado que comanda a investigação, Sidney Tenório, titular da Delegacia de Crimes Cibernéticos, o caso está sendo tratado como possível estelionato. “De acordo com o andamento das investigações, poderá evoluir para organização criminosa [Orcrim], se ficar comprovado que houve a formação de uma Orcrim para a prática desse tipo de crime, bem como outros ilícitos, como falsificação de documentos, falsidade ideológica e vários outros ilícitos penais que vierem a ser configurados”, explicou Tenório.
O delegado disse ainda que as supostas vítimas também podem ter incorrido em crime, uma vez que a contratação de pessoas para o serviço público se dá através de concurso ou de nomeação de cargo em comissão. “É preciso que isso fique claro, que se essas pessoas pagaram com essa intenção [de garantir a vaga], isso vai ser investigado e a gente vai tentar ver se há algum tipo penal para esse caso. Caso elas mantenham a informação de que estariam apenas pagando por exames admissionais, que a gente sabe não ser a regra, a regra é quem contrata custeia, ou você faz exames médicos nas redes particular ou pública, é possível que, ao final da investigação, haja a responsabilização para essas pessoas”, pontuou o delegado.
Algumas vítimas do golpe, prestaram queixa no 2º Distrito Policial, em Maceió. Eles afirmam que a promessa de emprego ofereciam vagas para todos os hospitais da rede pública em Alagoas, até para o Hospital Geral do Estado (HGE).
A produção da TV Gazeta solicitou uma nota sobre o caso a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), mas a secretaria informou que o caso já está sendo investigado pela polícia e que ainda não vai se pronunciar.
As vítimas apontam uma mulher como autora do suposto golpe. O esquema aconteceria da seguinte forma, os candidatos que ficam sabendo das vagas, entram em contato com a mulher, que se identifica como supervisora de Recursos Humanos da Sesau, que solicita uma série de documentos e a presença da pessoa em seu escritório pessoal, localizado em um centro empresarial no bairro da Mangabeiras, em Maceió.
Após a escolha do cargo, feito pela formação escolar, é estipulado o pagamento de um valor, por meio de transferência bancária, pix ou até mesmo no cartão de crédito, e ainda pode ser dividido.
Após o suposto cadastro, as vítimas são incluídas nos grupos de WhatsApp, que somente podem ser movimentados pelos administradores. É que os grupos são bloqueados a participação de qualquer pessoa no grupo, seja para perguntas ou até mesmo para reclamações e protestos.
A mulher teria dividido as vítimas em grupos no WhatsApp para manter contato com as supostas vítimas, que estariam divididos entre enfermeiros, fisioterapeutas, assistentes sociais, psicólogos – de acordo com o hospital que, segundo a equipe que comanda o suposto esquema, disponibiliza as vagas. Quase 700 pessoas estão nesses grupos.
