


A juíza Mariana Francisco Ferreira, de 34 anos, morreu na quarta-feira (6) após complicações registradas depois de um procedimento de coleta de óvulos para fertilização in vitro em uma clínica de reprodução assistida em Mogi das Cruzes. O caso foi registrado pela polícia como morte suspeita e morte acidental.
Segundo o boletim de ocorrência, Mariana realizou o procedimento na manhã da última segunda-feira (4), na clínica Invitro Reprodução Assistida. Após receber alta, ela voltou para casa, mas passou a apresentar fortes dores e sensação de frio.
Ainda de acordo com o registro policial, a magistrada retornou à clínica acompanhada da mãe, onde foi constatada uma hemorragia vaginal. A equipe médica realizou os primeiros atendimentos e uma sutura para tentar conter o sangramento.
Posteriormente, Mariana foi transferida para a Maternidade Mogi Mater, onde deu entrada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Na terça-feira (5), ela passou por uma cirurgia, mas o quadro clínico evoluiu de forma grave. Na madrugada de quarta-feira (6), sofreu duas paradas cardiorrespiratórias e morreu às 6h03.
Natural de Niterói, Mariana tomou posse como juíza no Rio Grande do Sul em 2023 e atuava na Vara Criminal da Comarca de Sapiranga.
Em nota, a clínica informou que adotou todos os protocolos técnicos e prestou atendimento emergencial à paciente, destacando que procedimentos médicos possuem riscos inerentes. O hospital também afirmou que realizou todas as medidas cabíveis para tentar estabilizar o quadro clínico.
O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil, que apura se a morte ocorreu em decorrência de complicações médicas relacionadas ao procedimento ou por eventual falha no atendimento.
Confira a nota da Clínica Invitro Reprodução Assistida na íntegra:
“Viemos a público manifestar profundo pesar pelo falecimento da Mariana, ocorrido na manhã de ontem, 06/05/26.
Desde os primeiros sinais de intercorrência, toda a equipe médica e assistencial adotou imediatamente os protocolos técnicos e medidas cabíveis, prestando o atendimento emergencial necessário dentro da clínica e providenciando o encaminhamento da paciente à unidade hospitalar adequada para continuidade da assistência médica especializada, sempre com o acompanhamento da nossa equipe e do médico responsável pelo procedimento.
A clínica ressalta que todo procedimento cirúrgico e médico, ainda que realizado com observância dos protocolos técnicos, acompanhamento especializado e estrutura adequada, possui riscos inerentes e intercorrências possíveis, infelizmente existentes em qualquer procedimento dessa natureza.
A clínica ressalta que sempre atuou dentro das normas técnicas e regulatórias aplicáveis, mantendo sua estrutura, equipe e procedimentos devidamente regularizados e aptos ao exercício de suas atividades.
Desde o primeiro momento, foram prestados todo acolhimento, apoio e assistência possíveis aos familiares da paciente, em respeito à dor enfrentada neste momento extremamente delicado. Toda a equipe lamenta profundamente o ocorrido, solidariza-se com familiares e amigos e reafirma seu compromisso com a ética, responsabilidade profissional, transparência e segurança no atendimento de todos os pacientes, ao mesmo tempo em que informa que todos os profissionais estão colaborando com as autoridades competentes para o esclarecimento do ocorrido, preservando-se, neste momento, o sigilo médico e o respeito à paciente e à sua família.”
O Hospital e Maternidade Mogi Mater informou em nota que Mariana deu entrada na unidade na tarde de segunda-feira (4), levada pela mãe “por meios próprios”, com quadro de hemorragia aguda.
Segundo o hospital, a paciente foi atendida pela equipe do pronto-socorro e encaminhada imediatamente para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
A unidade afirmou ainda que todas as medidas médicas e assistenciais cabíveis foram adotadas desde a admissão da paciente, na tentativa de estabilizar o quadro clínico.
De acordo com a nota, como Mariana não havia realizado procedimentos anteriores no hospital, o médico responsável pela clínica de reprodução assistida foi acionado para acompanhar o caso, incluindo a cirurgia realizada na terça-feira (5).
“Apesar de todos os esforços empregados pela equipe hospitalar, infelizmente ela veio a óbito no dia seguinte”, informou o hospital.
O Mogi Mater também manifestou solidariedade aos familiares e amigos da juíza.



