
Diretor-geral da Polícia Civil de Alagoas, delegado Paulo Cerqueira — Foto: Carolina Sanches/G1
A Polícia Federal (PF) indiciou o delegado-geral da Policia Civil de Alagoas (PC-AL), Paulo Cerqueira, pelo assassinato do advogado Nudson Harley ocorrido em julho de 2009. Ele teria sido morto por engano no lugar do juiz Marcelo Tadeu, que seria o alvo do atentado. Os elementos contidos nos autos do processo mostram que o delegado tem envolvimento no crime na condição de mandante.
Antônio Wendell Guarnieri, um dos autores materiais do crime, afirmou que foi o delegado quem o contratou para executar o magistrado, por intermédio do policial militar Natam Simião. Os autos do processo de indiciamento relatam que o então juiz Marcelo Tadeu, hoje aposentado, sempre insistiu que seria o alvo e que Nudson Harley morreu por engano em seu lugar.
No inquérito do homicídio de Nudson, presidido por Paulo Cerqueira, essa hipótese de morte por engano no lugar do juiz nunca foi considerada.
Os documentos citam ainda que o inquérito que apurou a morte de Nudson não começou com o delegado Paulo Cerqueira, mas foi avocado por ele logo no início, sem justificativa plausível.
Os autos mostram ainda que Paulo Cerqueira tentou desvirtuar o foco das investigações evitando qualquer linha que colocasse Wendel Guarnieri como executor e Marcelo Tadeu como pretensa vítima. O delegado tentou encerrar o inquérito precocemente, o que só não ocorreu por intervenção do juiz Marcelo Tadeu.
O homicídio aconteceu por volta das 19h, em julho de 2009. Nudson Harley usava um orelhão quando, segundo a polícia, dois homens armados em uma moto chegaram atirando. O advogado era de Belo Horizonte e estava prestando serviço a uma construtora de Alagoas.
O crime aconteceu na calçada de uma farmácia em Mangabeiras, Maceió, onde o então juiz Marcelo Tadeu havia estacionado o carro. Ele saiu do veículo, mas atravessou a pista e entrou em outra farmácia, em frente de onde tinha estacionado.
O orelhão utilizado pela vítima ficava próximo do carro de Marcelo Tadeu.
