
PMs viram réus por morte de empresário em Arapiraca, mas poderão responder em liberdade
A Justiça de Alagoas recebeu nesta sexta-feira (3) a denúncia do Ministério Público do Estado (MP-AL) e tornou réus os três policiais militares que participaram da abordagem que resultou na morte do empresário Marcelo Leite em Arapiraca, em novembro de 2022. O juiz também negou o pedido de prisão preventiva dos acusados, mas determinou o afastamento deles das funções ostensivas.
A promotoria havia pedido a prisão preventiva de Jilfran Santos Batista, comandante da viatura indiciado por homicídio doloso, fraude processual, e denunciação caluniosa; e de Ariel Oliveira Santos Neto, patrulheiro acusado de fraude processual e denunciação caluniosa. Não havia pedido de prisão contra Xavier Silva de Moraes, acusado de fraude processual.
Contudo, o magistrado justificou que a liberdade dos dois PMs não trariam risco ao andamento do processo e, por isso, aplicou medidas cautelares.
"Não há nos autos dados concretos que apontem que a liberdade dos denunciados teria o condão de interferir na confecção dos laudos periciais a cargo da perícia criminal da Polícia Civil do Estado de Alagoas, bem como inexistem elementos palpáveis e fiáveis de que os denunciados ameaçaram ou constrangeram testemunhas e peritos no curso da investigação policial", diz um trecho da decisão.
Aos três réus, foram impostas as seguintes medidas cautelares:
Os três policiais denunciados estavam em uma das viaturas que participaram da abordagem à vítima, mas negam que tenham alterado a cena do crime. Eles alegam que atiraram em legítima defesa porque viram que o empresário estava armado.
Porém, investigação policial concluiu que Jilfran atirou em direção ao empresário com uma carabina 5.56 (arma de cano longo) e depois ele e os outros dois PMs forjaram a cena do crime, colocando uma arma de fogo dentro do carro de Marcelo.
Para o magistrado, o fato de os denunciados terem entregue uma arma como sendo pertencente à vítima "não compromete a instrução processual".
"Não se pode percorrer o caminho das hipóteses, das conjecturas, das ilações, das deduções, das presunções, das suposições, dos pressentimentos para formular um juízo de valor de que os denunciados, soltos, irão tumultuar a coleta da prova, em juízo, ou dificultar a futura instrução processual", justifica o juiz ainda sobre a decisão de manter os réus em liberdade.
"Não obstante essa tragédia, os policiais alagoanos têm o perfil de responderem ao processo em liberdade e estão ausentes os requisitos da custódia preventiva", conclui.
Ainda não há data definida para o julgamento dos réus.
