Pílulas contra obesidade ganham força e podem estar disponíveis em breve

Por: Rádio Sampaio
 / Publicado em 21/09/2025

Foto: Ilustração

A revolução no tratamento da obesidade, impulsionada por medicamentos injetáveis como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, pode ganhar uma versão mais prática e acessível: pílulas orais. Dois estudos de fase 3 apresentados na última semana pela Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, indicam que a orforgliprona – um comprimido tomado uma vez ao dia – proporciona perdas de peso significativas, com uma em cada cinco participantes alcançando reduções de 20% ou mais após 72 semanas de uso.

Embora os resultados não superem os das injeções, especialistas destacam o potencial da formulação oral para ampliar o acesso ao tratamento, especialmente em países com barreiras logísticas e de custo. Os dados, divulgados no New England Journal of Medicine (NEJM) e em comunicados da empresa, derivam dos ensaios clínicos ATTAIN-1 e ACHIEVE-3, envolvendo milhares de adultos com obesidade ou sobrepeso associado a diabetes tipo 2.

No ATTAIN-1, focado em pacientes sem diabetes, a dose mais alta de orforgliprona (36 mg) resultou em uma perda média de 11,2% do peso corporal – equivalente a cerca de 11 kg para uma pessoa de 100 kg – em comparação com apenas 2,1% no grupo placebo. Doses intermediárias (6 mg e 12 mg) geraram reduções de 7,5% e 8,4%, respectivamente, todas estatisticamente superiores ao placebo.

Mais impressionante é a proporção de respondedores: 18,4% dos participantes na dose máxima perderam 20% ou mais do peso inicial, enquanto 54,6% atingiram pelo menos 10% de redução – um limiar considerado clinicamente relevante para benefícios cardiovasculares e metabólicos. Esses números, embora inferiores aos 20-25% médios observados com a tirzepatida injetável (princípio ativo do Mounjaro), representam um avanço para as formulações orais, que historicamente enfrentavam desafios de absorção e eficácia.

No estudo ACHIEVE-3, um confronto direto com a semaglutida oral (Rybelsus, da Novo Nordisk), a orforgliprona se destacou ainda mais. Em 52 semanas, a dose de 36 mg promoveu uma perda média de 9,2% do peso (19,7 libras ou cerca de 9 kg), contra 5,3% da semaglutida na dose equivalente – uma melhoria relativa de 73,6%. Além disso, a orforgliprona reduziu os níveis de A1C (glicemia média) em 2,2%, superando os 1,4% do concorrente, beneficiando pacientes com diabetes tipo 2.

"A orforgliprona reforça seu potencial como tratamento fundamental para o diabetes tipo 2, com dosagem oral diária e escalabilidade ampla", afirmou Kenneth Custer, vice-presidente executivo de Saúde Cardiometabólica da Eli Lilly, em comunicado oficial. Ele enfatizou os benefícios em controle glicêmico, onde quase três vezes mais participantes na dose alta atingiram níveis normais de açúcar no sangue.

Os medicamentos injetáveis à base de agonistas de GLP-1, como os da Novo Nordisk e Eli Lilly, já transformaram o cenário da obesidade ao mimetizar efeitos da cirurgia bariátrica, promovendo saciedade e controle de apetite. No entanto, a necessidade de injeções semanais limita a adesão, especialmente em populações de baixa renda ou rurais. "Um comprimido eficaz será mais acessível e prático, potencializando o impacto global contra a obesidade", avalia o Dr. Louis Aronne, diretor do Programa de Controle de Peso da Weill Cornell Medicine, em análise publicada pela instituição. Ele ressalta que, apesar de efeitos colaterais gastrointestinais comuns (náuseas e diarreia, geralmente leves), o perfil de segurança da orforgliprona é consistente com a classe.

A Eli Lilly planeja submeter os dados regulatórios à FDA e agências europeias ainda em 2025, acelerando a aprovação para obesidade e diabetes. Analistas preveem que pílulas como a orforgliprona possam capturar uma fatia do mercado bilionário de GLP-1s, projetado para US$ 100 bilhões até 2030. No Brasil, onde a obesidade afeta 22% da população adulta segundo o Ministério da Saúde, a chegada de opções orais poderia democratizar o acesso, mas depende de negociações de preço e incorporação ao SUS.

Enquanto os resultados animam, experts como Aronne alertam para a necessidade de estudos de longo prazo sobre sustentabilidade da perda de peso e riscos cardiovasculares. "Estamos no limiar de uma era onde tratar obesidade será tão simples quanto engolir uma pílula", conclui ele. Com a ciência avançando, o foco agora é equilibrar inovação com equidade, garantindo que esses avanços cheguem a quem mais precisa.

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