


As investigações da Polícia Federal (PF) sobre o desastre provocado pela mineração de sal-gema em Maceió apontam que os riscos de afundamento do solo eram conhecidos desde a década de 1980 pela Salgema, empresa que deu origem à Braskem. Segundo denúncia do Ministério Público Federal (MPF), a Braskem tinha conhecimento formal do processo de subsidência, pelo menos, desde 2003, mas continuou informando às autoridades que não havia evidências de acomodação do terreno.
De acordo com os laudos periciais que embasam a denúncia, estudos técnicos realizados em 1986 já alertavam para a possibilidade de subsidência e recomendavam medidas para evitar danos na superfície. No mesmo período, registros apontavam vibrações provocadas por desmoronamentos em cavidades subterrâneas. Em 1989, novos pareceres advertiram para o risco de formação de uma bacia de subsidência e de crateras em caso de colapso.
As perícias indicam que o afundamento do solo passou a ser detectável no fim da década de 1990. Conforme a investigação, a Braskem já possuía, em 2003, dados de monitoramento que apontavam alterações significativas no relevo, mas manteve, em documentos oficiais, que não havia evidências de afundamento. Para a PF, esse teria sido o início de uma série de omissões e supostas fraudes que ocultaram a gravidade do problema por mais de uma década.
A crise se tornou pública em 2018, após tremores de terra e rachaduras em imóveis levarem à desocupação de cinco bairros da capital alagoana: Pinheiro, Mutange, Bebedouro, Bom Parto e parte do Farol. Em laudo concluído em 2024, a Polícia Federal classificou os danos causados pela atividade minerária como significativos e irreversíveis, afirmando que parte das áreas afetadas se tornou permanentemente imprópria para ocupação humana.
Em nota, a Braskem reafirmou solidariedade aos moradores afetados e declarou que sempre atuou em conformidade com as leis e regulações do setor, informando regularmente as autoridades competentes. A empresa também informou que se manifestará nos autos do processo e que seguirá cumprindo os compromissos assumidos.
Leia, abaixo, a íntegra do comunicado:
"A Braskem reitera seu compromisso com a sociedade alagoana, assim como o respeito e solidariedade para com os moradores afetados.
A empresa se pronunciará oportunamente nos autos do processo e ressalta que, desde o início das apurações, contribuiu, assim como seus integrantes, com as informações e esclarecimentos solicitados.
A Braskem sempre atuou em conformidade com as leis e regulações do setor, informando e prestando contas regularmente às autoridades competentes.
Seguiremos empenhados no cumprimento de todos os compromissos assumidos."
