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Um levantamento realizado por uma pesquisadora da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal) analisou o impacto da internet na saúde mental de estudantes universitários da área de saúde no estado. Os dados resultantes da pesquisa são alarmantes: mais da metade dos participantes apresenta algum grau de dependência (leve, moderada ou grave) em relação à Internet, o que tem provocado danos à saúde mental. Casos considerados moderados e graves podem levar a ideias suicidas.
Durante a pesquisa, que resultou em uma tese de doutorado pela Universidade de São Paulo (USP), a professora Irena Duprat entrevistou 503 estudantes de cursos de graduação de uma universidade federal. Os participantes responderam, entre outros instrumentos, a um questionário sobre ideação suicida e uma escala de dependência de Internet Desse total, 50,9% apresentaram algum grau de dependência em relação à internet - sendo 8,6% dependência grave. A prevalência de ideação suicida foi de 12,5% entre os participantes.
Apesar de benefícios citados em atividades diárias, os estudantes relatam o mau gerenciamento das redes, tanto em relação ao tempo de navegação, como em relação ao seu propósito, o que, segundo a professora Irena Duprat, sugere maior susceptibilidade aos efeitos negativos desse uso, como prejuízos físicos, psicológicos, emocionais e de rendimento acadêmico durante os cursos de graduação.
“A Internet utilizada como mecanismo de fuga para situações adversas foi amplamente trazida nos discursos, acendendo um alerta à saúde mental dos estudantes, uma vez que episódios de depressão, ansiedade e estresse estiveram entre as principais justificativas para tal refúgio e, por sua vez, são fatores de risco para o comportamento suicida”, explica a professora e pesquisadora Irena Durpat.
Paralelo ao papel da Internet no contexto da ideação suicida, outro dado chama a atenção: o antecedente de suicídio e de tentativa de suicídio na família foi reportado por 10,3% e 26% dos participantes, respectivamente.
Os resultados foram ainda maiores quando se referiram a um amigo: 12,5% dos estudantes confirmaram o suicídio e 44,1%, a tentativa. “Os números assustam uma vez que relacionamentos interpessoais podem exercer significativa influência sobre o comportamento de uma pessoa, aumentando a probabilidade de reprodução do ato”, ressalta a autora da pesquisa.
Além do papel da Internet, variáveis como faixa etária, orientação sexual, curso em andamento, bullying, histórico de tentativa de suicídio em familiares e/ou amigos, uso de medicação controlada, sintomatologia significativa para depressão e ansiedade estiveram associadas com a presença de ideação suicida.
*Com Ascom Uncisal
