Pesquisador da Ufal tem projeto aprovado para investigar possíveis influências do clima sobre a Covid-19

Professor Humberto Barbosa, da Ufal, tem estudo aprovado para investigar possíveis influências do clima sobre a Covid-19 — Foto: Ascom/ Ufal

Um estudo da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) que investiga possíveis influências do clima na transmissão da Covid-19, de autoria do professor Humberto Barbosa, do Instituto de Ciências Atmosféricas (Icat), foi selecionado por um programa que reúne pesquisadores brasileiros que estudam como combater e prevenir a Covid-19.

O Programa Estratégico Emergencial de Combate a Surtos, Endemias, Epidemias e Pandemias da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) também promove a formação de pessoas para atuar nas áreas de doenças infecciosas.

A proposta do professor Humberto Barbosa é estudar se o clima pode influenciar no novo coronavírus e, a partir disso, combater tanto a Covid-19 quanto outras patologias na Amazônia brasileira. Para isso, o professor deve ter como base modelos matemáticos de estudo.

“O projeto é muito importante por colocar a Ufal e o Lapis [Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites, coordenado pelo docente] nessa vanguarda de pesquisas em uma área tão urgente e fundamental hoje para toda a população. A pandemia alertou para a necessidade de maior difusão da ciência, para que se compreenda os processos de transmissibilidade, de prevenção, entre muitas outras questões relevantes”, ressalta Barbosa.

Com a aprovação do projeto, além de conseguir o valor de custeio de R$ 50 mil para a pesquisa, foram concedidas uma bolsa de mestrado, duas de doutorado e mais duas de pós-doutorado.

“Essas bolsas para a pós-graduação e outros pesquisadores são essenciais, pois permitem a formação de pessoal capacitado para atuar nessa área de combate a doenças, que se tornou prioridade por conta da pandemia, especialmente, para a Amazônia que está no centro dessa discussão ambiental, socioeconômica e sanitária”, afirma.

O projeto selecionado

De acordo com Barbosa, que tem anos de trabalho dedicados ao estudo das condições climáticas, o projeto será voltado aos ecossistemas da floresta amazônica para compreender a relação entre as variações na temperatura, precipitação e umidade do solo, visando apoiar sistemas de vigilância em saúde, e também serão consideradas variáveis não climáticas para explicar os efeitos ambientais conhecidos, a exemplo da cobertura do solo e população.

Ele explica que a comunidade científica global ainda busca por respostas sobre as formas de transmissão do vírus, a influência da sazonalidade no contágio e evidência sobre imunidade por anticorpos.

“Há pesquisas que mostram certa sazonalidade na transmissão do novo coronavírus, mas a influência é muito baixa, diante do fato de a grande maioria da população não ter imunidade ao vírus. Por outro lado, a doença causada pelo Sars-CoV-2 mostra uma flutuação sazonal significativa nas regiões temperadas do mundo, mas apresenta menos sazonalidade nas áreas tropicais. Nosso entendimento atual ainda está incompleto. É nesse sentido que buscaremos colaborar”, informou o pesquisador.

Além da Ufal, as universidades federais de Campina Grande (UFCG), Rural do Semiárido (UFERSA) e do Rio Grande do Norte (UFRN) também foram instituições nordestinas com propostas selecionadas pelo edital 12/2020 da Capes.


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