
O caso foi registrado no Hospital de Ipubi — Foto: Reprodução / Google Street View
Um suposto caso de estupro de vulnerável chamou a atenção dos moradores do município de Ipubi, no Sertão de Pernambuco, em janeiro de 2024. A vítima seria uma criança de 5 anos e o principal suspeito de cometer o crime era o pai. Na última semana, o homem foi a julgamento e acabou sendo absolvido, após passar quase um ano preso.
A vida do agricultor J.W.A começou a mudar no dia 8 de janeiro do ano passado, quando passou a ser suspeito de estuprar a filha. Na época, o laudo da equipe médica do hospital de Ipubi informou à polícia que a criança havia sofrido laceração anal e perfuração do hímen.
“Ele narra que ao chegar no hospital, pediram para ele dar banho na criança e ficaram acompanhando o banho. E segundo ele, estranharam o comportamento que a criança estava, um pouco intimida e suspeitaram imediatamente de um suposto abuso sexual”, explica o advogado criminalista Erleson Aceno, responsável pela defesa do pai.
A criança, segundo o acusado, sofre de epilepsia e a ida a unidade médica aconteceu após uma crise. Além da menina, a família tem mais cinco filhos. O advogado explica que, por esse motivo, o pai levava a menina para o hospital enquanto a mãe ficava em casa com as outras crianças.
De acordo com a defesa, ainda no dia 8, após a suspeita do estupro, a mãe e a tia da criança foram ao hospital. Todos foram levados para a delegacia. “O delegado ouviu a mãe, ouviu o pai, encaminhou a criança para o departamento especialista no assunto, que fica localizado na cidade de Ouricuri, para a realização de exames”.
Como o resultado dos exames não sairia no mesmo dia, o delegado decidiu não decretar a prisão do pai, liberando todos. No entanto, a história voltou a ter um novo capítulo no dia 26 de janeiro. O genitor conduziu, novamente, a filha ao hospital, em razão das crises convulsivas. Assim como da primeira vez, os órgãos competentes foram acionados, pois o caso estaria se repetindo.
“Ressalta-se que, neste dia, o médico plantonista afirmou que não tinha como laudas o presente caso, pois não tinha conhecimento técnico sobre o assunto, razão pela qual solicitou novos exames”, diz o advogado, lembrando que também foram feitas coletas de material para ver se havia sêmen no corpo da criança.
Seguindo as investigações, o delegado pediu a prisão preventiva do suspeito, o Ministério Público se manifestou favorável e o juiz decretou. O pai foi preso no dia 21 de fevereiro. Erleson Aceno diz que após ser procurado pela família para assumir o caso, foi conversar com o cliente na Cadeia Pública de Ipubi. “Conversei com o pai e a todo momento ele negou os fatos”, diz o defensor.
O advogado diz que, após ter em mãos os resultados dos exames, que mostravam que não havia existido a violência sexual, mentiu para o cliente para ver a reação dele. “Eu disse: ‘Olha, infelizmente o os exames deram positivo, no sentido de que a menina teve, inclusive, sua honra manchada’, lógico com outras palavras. Imediatamente eu vi aquele pai chorando, sofrendo, dizendo que de fato não tinha feito nada com a criança”.
