
Foto: Gustavo Morais
O corpo de Gabriel Lincoln Pereira da Silva, de 16 anos, segue sendo velado na residência de sua avó, no povoado Sementeira, zona rural de Palmeira dos Índios. O adolescente morreu na noite do último sábado, 3 de maio, após um desfecho trágico durante uma ação policial. Em entrevista exclusiva ao programa Nosso Encontro, da Rádio Sampaio 94,5 FM, o pai de Gabriel, Cícero, narrou sua versão dos fatos, expressou sua dor e contestou as alegações da polícia militar.
Segundo Cícero, Gabriel era dono de uma pequena lanchonete em frente à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Palmeira dos Índios, empreendimento que realizava há poucos dias. No sábado, por volta das 18h50, o adolescente saiu para comprar alface e, em seguida, se prepararia para entregar pedidos pendentes. “Era sonho dele trabalhar. Ele não bebia, não tinha vícios – só queria produzir”, afirmou o pai.
A preocupação começou quando Gabriel não retornou no horário costumeiro. Somente por volta das 23h30, ao ser informado pela polícia sobre um corpo em óbito na área, Cícero solicitou à UPA a autorização para fazer o reconhecimento. “Eu só descobri que era meu filho quando vi a viatura e o corpo lá”, relembrou, ainda desolado.
A Polícia Militar informou que Gabriel teria empinado a motocicleta, avançado sinal vermelho e disparado contra a guarnição, motivando a perseguição que culminou em sua queda. Segundo o boletim, o disparo teria partido do próprio adolescente.
Porém, Cícero contesta esses pontos de forma veemente. “Ele nunca teve arma na mão. Ele era medroso, não enfrentaria polícia nem de brincadeira”, sustenta. O pai relata ter testemunhas oculares que afirmam ter visto a ação policial sem luzes ou sirenes ligadas, em via escura, sem qualquer alerta. “Fecharam o moleque, derrubaram ele e aconteceu o que todos sabem”, diz, referindo-se ao tiro que atingiu Gabriel pelas costas, na região pulmonar, perfurando o coração.
O 10º Batalhão da PM e o Comando Geral da corporação anunciaram abertura de investigação para apurar todas as circunstâncias do ocorrido. O Instituto Médico Legal (IML) informou que o projétil não foi encontrado.
O velório seguiu durante toda a madrugada e o sepultamento será realizado hoje, às 10h, no Cemitério São Gonçalo, em Palmeira dos Índios. Gabriel era evangélico e frequentava a igreja com a mãe e a avó. Cícero pede à comunidade apoio para buscar justiça. “Que esse tipo de coisa não aconteça mais. Peço justiça para meu filho”, declarou.
A tragédia de Gabriel Lincoln impulsiona familiares e a sociedade local a cobrirem transparência e rigor nas apurações, na esperança de que todas as versões sejam confrontadas e a verdade venha à tona.
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Foto: Gustavo Morais
