
Bruno Drummond, recuperado, já fazendo musculação. — Foto: Redes sociais: Bruno Drummond
O caso de Bruno Drummond, de 31 anos, tem chamado atenção ao demonstrar avanços significativos após participar de um tratamento experimental para lesão medular com a substância polilaminina. Primeiro tetraplégico a receber a terapia, ele afirma ter recuperado quase totalmente os movimentos e hoje leva uma vida independente.
Recuperação e rotina atual
Após sofrer um acidente de carro em abril de 2018 e ser diagnosticado com tetraplegia, Bruno participou do estudo durante a cirurgia. Cerca de um ano e meio depois, relatou recuperação de “quase 100%” dos movimentos. Atualmente, ele afirma que consegue trabalhar, dirigir carro manual, cozinhar e até praticar musculação, chegando a fazer supino com 20 kg.
Em entrevista à CBN Rio, o paciente disse que percebeu evolução mais rápida em comparação com outros casos de tetraplegia sem o uso da substância, o que reforçou sua confiança no tratamento.
Pesquisa e autorização para testes
O estudo é conduzido por pesquisadores do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ. A pesquisa investiga o uso da polilaminina, proteína com potencial de regeneração da medula espinhal.
Na última segunda-feira (5), a Anvisa autorizou o início de um estudo clínico para testar a substância em humanos, etapa considerada fundamental para avaliar segurança e eficácia em maior escala.
Próximos passos e expectativas
Apesar dos resultados promissores, especialistas ressaltam que o tratamento ainda está em fase inicial e precisa avançar para as fases 2 e 3 dos estudos clínicos, que avaliam a eficácia em um número maior de pacientes.
Segundo a chefe do laboratório, Tatiana Coelho de Sampaio, a expectativa é que, caso os resultados continuem positivos, a possível liberação do medicamento possa ocorrer em cerca de três anos.
Como funciona a terapia
No procedimento, a laminina — proteína extraída de placenta humana — passa por um processo laboratorial que origina a polilaminina. A substância é aplicada uma única vez diretamente no local da lesão, atuando como um “andaime biológico” que favorece a reconexão entre neurônios.
O caso de Bruno reforça o potencial da técnica e aumenta a esperança de novas alternativas terapêuticas para pessoas com lesão medular, embora a aplicação ainda dependa da conclusão das etapas de pesquisa.

