Operação prende policiais militares suspeitos de participar de homicídio em Maceió

O coronel Rocha Lima, comandante do 8º Batalhão

Pelo menos dois policiais militares foram presos na manhã desta quarta-feira (22) em uma operação coordenada pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Os presos são envolvidos em um homicídio. A informação foi confirmada pela assessoria da Polícia Civil.

Foram expedidos pela 8ª Vara Criminal da Capital mandados de prisão preventiva, busca e apreensão, nos bairros Benedito Bentes, Clima Bom, Santa Amélia e Chã da Jaqueira, contra quatro pessoas indiciadas pelo crime de homicídio qualificado, ocorrido em outubro de 2019.

Segundo informações, os dois policiais militares presos são o Tenente-Coronel Rocha Lima, que está no comando do 8º Batalhão de Polícia Militar, um tenente da reserva identificado como José Gilberto, e outros dois civis.

Em nota, a Polícia Militar de Alagoas confirmou a prisão dos dois militares na manhã desta quarta-feira em cumprimento a determinação judicial e que a Corregedoria-Geral da instituição irá realizar os procedimentos legais cabíveis em paralelo às investigações da polícia judiciária.

O tenente da reserva e um dos civis presos na operação desta quarta já haviam sido presos pelo mesmo crime em novembro.

O advogado do Tenente-Coronel informou que ainda não o ouviu e por isso ainda não pode se pronunciar.

Punições

O TC Rocha Lima é considerado um militar problemático, já tendo inclusive respondido a dezenas de procedimentos administrativos. Ele tem em seu desfavor, três Conselhos de Justificação, por motivos que vão de estupro, desordens em locais públicos, associação ao tráfico e extorsão, a determinações judiciais da 17ª Vara Criminal, por formação de quadrilha.

Um currículo recheado de infrações graves, ignorado pelo Comando Geral da Polícia Militar de Alagoas, desde seu ingresso na corporação, em 1992, na Turma Denilma Bulhões. Os dados sobre o TC Antônio Marcos da Rocha Lima mostram que, apesar dessa ficha funcional negativa, a única ação punitiva que enfrentou foi em dezembro de 2010, quando o então comandante geral, coronel Dário César Cavalcante, publicou no Boletim Geral Ostensivo (BGO) a solicitação de sua demissão das fileiras da PMAL, “por ser considerado indigno ao oficialato e a ele incompatível, e não possuir condições de permanecer nesta briosa de bravos”.

No BGO consta ainda que Rocha Lima “frequenta lugares impróprios para um oficial de polícia, acompanhado de pessoas associadas a prática de crimes, como são o caso do ex-sargento Medeiros, Alan Costa Lima e o Miguel Rocha Neto, comprometendo o prestígio e o conceito da Corporação perante a opinião pública”.

O crime

A vítima, Luciano de Albuquerque Cavalcante, 40, foi surpreendida por sete disparos de arma de fogo na manhã do dia 25 de outubro no conjunto Village Campestre II. Ele morreu no local.

A motivação do crime seria um terreno situado no bairro da Forene, município de Rio Largo, avaliado em R$ 1 milhão, que vinha sendo negociado entre Luciano Albuquerque Cavalcante e o tenente da reserva da Polícia Militar, José Gilberto Cavalcante Góis. Este foi preso em novembro do ano passado, junto com Wagner Luís das Neves, também suspeito do assassinato de Luciano, crime praticado no bairro Cidade Universitária, em Maceió.

Imagens de câmeras de segurança mostram o veículo Voyage, de cor branca, usado pelos assassinos entrando no condomínio onde José Gilberto reside, e saindo dali em direção ao posto Acauã, onde Luciano trabalhava e foi assassinado.


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