

A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) deflagraram na manhã desta quinta-feira (25) a Operação Última Parada, contra um esquema de lavagem de dinheiro da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte público. Os agentes cumprem cinco mandados de prisão temporária e 104 de busca e apreensão.
Os três presos são o vereador da capital Senival Moura, do PT, o presidente da Transunião Transportes S.A., Jair Ramos de Freitas ("Cachorrão"), diretor informal da empresa, e Devanil de Souza Nascimento ("Sapo"): motorista e homem de confiança do vereador.
Abaixo, veja quem são os demais alvos dos mandados de prisão:
Números da operação:
Os investigados são acusados de organização criminosa, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações públicas.
Com a operação, a diretoria da Transunião foi afastada e a Prefeitura de São Paulo, comunicada para que sejam tomadas as medidas administrativas cabíveis.
Em nota, a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT) e a SPTrans informam que "a operação dos ônibus da empresa Transunião segue funcionando, com a frota atendendo normalmente as linhas sob sua responsabilidade e sem prejuízo ao atendimento da população. A Administração Municipal aguarda a notificação oficial da decisão judicial para avaliar seus termos e definir as providências necessárias a partir de agora".
O prefeito Ricardo Nunes (MDB) informou estar acompanhando os desdobramentos da operação "ao mesmo tempo em que temos toda a atenção para que o serviço funcione plenamente, o que tem ocorrido normalmente desde as primeiras horas da manhã".
Os mandados estão sendo cumpridos em endereços da cidade de São Paulo, da região metropolitana e do município de Extrema (MG). A ação é conduzida pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MP.
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Ônibus da Transunião; foto de 2022 — Foto: Abraão Cruz/TV Globo
Para cortar a influência dos investigados, a Justiça determinou o afastamento imediato de todos os atuais diretores e administradores da Transunião. Como o transporte de passageiros é um serviço essencial e não pode parar, a SPTrans foi notificada. Agora, o município precisa garantir que a frota continue rodando, seja decretando uma intervenção direta na empresa ou repassando as linhas da Transunião para outras viações da cidade.
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O vereador Senival Moura, do PT, durante sessão de CPI na Câmara Municipal de São Paulo. — Foto: Divulgação/Rede Câmara
De acordo com o MP-SP e a Polícia Civil, a Transunião contava com a existência de um núcleo paralelo, que tomava as decisões operacionais da empresa e autorizava a transferência de grandes valores para criminosos ligados ao PCC.
A fraude atingiu até mesmo a constituição da empresa. A investigação aponta que a mudança societária da companhia teve origem criminosa: o capital social saltou de pouco mais de R$ 100 mil para mais de R$ 50 milhões sem que a origem desse dinheiro ficasse comprovada.
Essa elevação fraudulenta do capital social permitiu à Transunião participar e vencer licitações da Prefeitura de São Paulo para operar linhas do transporte público.
A pedido da polícia e do MP-SP, a Justiça determinou o sequestro de uma fortuna ligada aos investigados e à companhia. A lista de bens bloqueados inclui:
Os investigadores também constataram que o esquema usado pela Transunião tem ligação com outras grandes investigações, como a Carbono Oculto, a Vérnix e a Operação Mafiusi. Esta última, conduzida pela Polícia Federal no Paraná, focou no tráfico internacional de drogas e expôs a ligação direta entre o PCC e a máfia italiana 'Ndrangheta.
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Dinheiro apreendido pela Operação Última Parada — Foto: Polícia Civil de SP
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Objetos apreendidos na Operação Última Parada — Foto: Polícia Civil de SP
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Objetos apreendidos na Operação Última Parada — Foto: Polícia Civil de SP
