
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Na última semana, o Brasil enfrentou mais uma onda de calor, com a temperatura ficando 5°C acima da média em algumas regiões. Segundo a professora Renata Libonatti, do Departamento de Meteorologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), um estudo com as 14 principais regiões metropolitanas brasileiras mostrou que, entre 2000 e 2020, foram 50 mil mortes associadas às ondas de calor.
“Esse número é 20 vezes maior do que o número de pessoas que morreram por deslizamentos. Apesar de as pessoas morrerem por causa de ondas de calor, não se percebe que essas mortes são associadas às ondas de calor. A Europa começou a ter essa percepção de ondas de calor como desastre fatal a partir da França, em 2003. Foi uma onda de calor gravíssima, que matou entre 20 mil e 40 mil pessoas. Agora (lá) já existem protocolos que são aplicados”, disse a professora.
Segundo Libonatti, as ondas de calor no Brasil são desastres negligenciados, pois não há uma linha de ação transversal entre alertas meteorológicos e protocolos para os órgãos de saúde e de assistência.
Há ainda a questão o estresse térmico, que não está relacionado apenas à temperatura, mas à umidade relativa do ar, à incidência de radiação solar, à velocidade do vento, entre outras variáveis. “Em geral, o estresse térmico são condições ambientais relacionadas com essas variáveis que fazem com que o corpo humano passe a ter uma sensação desconfortável e várias consequências, como desidratação, confusão mental, cansaço”, explicou.
As ondas de calor fazem parte de eventos que agravam esse estresse. De acordo com a docente, uma conta que foi feita com projeções climáticas considera que, em 2030, teremos cerca de 27 milhões de pessoas expostas a condições de estresse térmico.
Para evitar esses problemas mais sérios, a meteorologista fala de adotar planos que vêm sendo discutidos ultimamente. “Uso de materiais para construção que tenham a capacidade de absorver um pouco o calor; a presença de corpos d’água é uma medida que precisa ser estudada; a construção de telhados verdes ou a construção de prédios que favoreçam a circulação do ar; diminuir a emissão de gases associados aos transportes, com mudanças significativas na frota veicular. Tudo isso estamos falando em termos de infraestrutura”.
