


O tabuleiro está montado. Mas onde está a torcida?
Na Terra dos Marechais, o tabuleiro político está em pleno movimento. Candidatos caminham, alianças se fortalecem, estratégias são traçadas e as peças procuram ocupar seus melhores espaços.
Mas algo chama atenção, a torcida está fria.
E a torcida é o eleitor.
Mesmo com um alagoano figurando como candidato a vice-presidente da República e Alagoas voltando a ocupar espaço no cenário nacional, as ruas ainda não demonstram a efervescência política que outros tempos produziram.
E fica a pergunta que não quer calar: por que o cidadão está falando menos de política?
Seria apenas cansaço da polarização e descrença na política? Ou os acontecimentos dos últimos anos, incluindo controvérsias sobre decisões monocráticas, liberdade de expressão, responsabilização e atuação da mais alta Corte do país, contribuíram para deixar parte dos brasileiros, especialmente setores da direita, mais cautelosa para manifestar publicamente suas opiniões?
É uma pergunta legítima numa democracia.
Há quem considere determinadas medidas judiciais necessárias à defesa das instituições. Há também quem enxergue excessos e tema o enfraquecimento da liberdade de expressão. Entre uma visão e outra, uma coisa precisa permanecer intocável, o direito de questionar dentro da lei.
Talvez o eleitor não esteja frio.
Talvez esteja apenas observando.
Porque quem hoje não coloca adesivo, não veste camisa, não levanta bandeira e evita discussões nas redes sociais continua carregando consigo a arma mais poderosa da democracia, o voto livre e secreto.
Na política, silêncio nunca significou necessariamente indiferença.
E na Terra dos Marechais, onde a história ensina que política não é jogo para amadores, convém não subestimar quem está calado.
O tabuleiro está montado.
As peças estão se movimentando.
A torcida permanece em silêncio.
Resta saber se está fria...
ou apenas esperando o dia da urna para fazer o seu maior barulho.
Por: Helvio Peixoto.
