Novo livro de JK Rowling gera outra controvérsia

Novo livro de JK Rowling gera outra controvérsia

A escritora JK Rowling está sendo criticada novamente por ativistas dos direitos LGBT+. Desta vez, por seu novo livro policial, que tem um serial killer que se transveste.

Publicado nesta terça-feira (15), “Troubled Blood” (Sangue Perturbado, em tradução livre) de Robert Galbraith — pseudônimo de Rowling para seus romances policiais — é o quinto da série Cormoran Strike.

Uma resenha do livro no jornal britânico Daily Telegraph, publicada no domingo (13), descreveu o “grosso do livro” como uma investigação de um caso já arquivado de um médico desaparecido, que é presumido como vítima de uma travesti assassina.

“Pergunto-me o que os críticos da postura de Rowling sobre a questão trans vão pensar de um livro cuja moral parece ser: nunca confie em um homem de vestido”, escreveu o crítico Jake Kerridge.

A Mermaids, uma organização de caridade do Reino Unido, que apoia crianças transgênero e suas famílias, disse estar “preocupada” com relatos de que a obra tem um personagem que se apresenta como sendo de outro gênero para cometer crimes.

“Esse é um estereótipo batido e até meio desgastado, responsável pela demonização de um pequeno grupo de pessoas que simplesmente esperam viver suas vidas com dignidade”, disse um porta-voz da Mermaids em nota à CNN.

Esse porta-voz citou um exemplo do segundo livro de Rowling na série “Strike”, de 2014 — “O Bicho-da-Seda”, que tem um personagem transgênero como um dos suspeitos.

“Estamos desapontados em ouvir que a autora pode estar propagando a mesma apresentação batida e ofensiva de mulheres trans como uma ameaça”.

“Como uma instituição para crianças, somos testemunha da dor muito real de pessoas jovens, que viam a ficção escrita pela sra. Rowling como um lugar de conforto, amizade e escapismo. A autora expressou recentemente seu apoio pelo direito das pessoas trans de viverem livres de perseguição. Seu livro mais recente pode fazer com que aqueles que ainda se divertem com seus livros questionem esse sentimento”, acrescentou a nota da Mermaids.

A representação de Rowling disse à CNN que não comentaria sobre a controvérsia mais recente.

Paris Lees, uma ativista dos direitos trans e colunista da Vogue britânica, escreveu no Twitter nesta segunda (14): “O novo livro da JK Rowling é sobre um ‘serial killer travesti’. Enquanto isso, no mundo real, o número de pessoas trans mortas no Brasil subiu 70% no último ano, jovens mulheres trans estão sendo queimadas em carros e homens que nos matam [por sermos trans] são perdoados e liberados para voltar para casa”.

Comparando Rowling a sua própria criação, a detestada personagem de “Harry Potter”, Dolores Umbridge, a atriz e escritora Jen Richards escreveu no Twitter que a autora ficou “tão obcecada com a sua perspectiva profundamente preconceituosa, que irá a qualquer distância para se manter convencida de suas presunções, não importa o dano que cause”.

Os comentários e percepcões de Rowling sobre questões de gênero se tornaram manchetes várias vezes neste ano.

No mês passado, a escritora disse que devolveria um prêmio de prestígio na área dos direitos humanos após Kerry Kennedy, presidente da organização Robert F. Kennedy pelos Direitos Humanos, afirmar que o ponto de vista de Rowling “minimiza as identidades” de pessoas trans.

Em junho, Rowling gerou controvérsia após zombar de uma manchete que dizia “pessoas que menstruam”.

“‘Pessoas que menstruam’. Estou certa de que havia uma palavra para essas pessoas”, ela tweetou. “Alguém me ajude. Wumben? Wimpund? Woomud? [em referência à palavra ‘women’, ‘mulheres’ em inglês]”.

Seus comentários levaram os atores que participaram das adaptações cinematográficas de seus livros a expressarem suas discordâncias. Entre eles, Daniel Radcliffe, Emma Watson e Eddie Redmayne, da série “Harry Potter”.

“Pessoas trans são quem dizem que são e merecem viver suas vidas sem ser constantemente questionadas ou ouvirem que não são quem dizem ser”, escreveu Watson.

Após a reação, Rowling publicou um texto sobre identidade de gênero em seu website, em que explica o motivo de ter escolhido compartilhar sua perspectiva.

“Tudo que estou pedindo — tudo que quero — é que empatia similar, compreensão similar, seja estendida aos milhões de mulheres cujo único crime é desejar que suas preocupações sejam ouvidas sem receberem ameaças e ofensas”, disse.

No texto de quase 3.700 palavras, Rowling explica como suas próprias experiências influenciaram sua visão de mundo, revelando ser uma sobrevivente de abuso doméstico e sexual.


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