No Ceará, colegas humilham aluno com síndrome e o forçam a comer 7 fatias de bolo

Por: Rádio Sampaio com Metrópoles
 / Publicado em 04/03/2026

Reprodução redes sociais

 

Um adolescente de 16 anos, com uma síndrome rara, foi obrigado por colegas a comer pelo menos sete fatias de bolo em uma escola de Fortaleza, no Ceará. A vítima tem uma condição que afeta o desenvolvimento mental e causa fome crônica e obesidade.

Os alunos filmaram e divulgaram nas redes sociais o vídeo do adolescente sendo humilhado e forçado a comer o bolo. O episódio de agressão ocorreu dentro de um banheiro em uma escola estadual de ensino médio, na última quinta-feira (26/2)

Os familiares da vítima souberam do caso após a repercussão nas redes sociais. Nas imagens é possível ver que vários alunos participam do episódio de bullying e atacam o menino, que não revida.

Segundo relato da mãe da vítima publicado nas redes sociais, o adolescente, que não quer mais voltar à escola, tem Síndrome de Prader-Willi, distúrbio genético que afeta uma em cada 15 mil pessoas. A condição acontece devido a uma falha de genes no cromossomo 15 e traz uma série de características específicas.

A principal delas é que o cérebro não consegue receber a mensagem de saciedade quando o corpo é alimentado. A consequência é a obesidade mórbida que, em muitos pacientes, pode ser fatal.

A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Educação do estado e aguarda resposta. Bullying é crime no Brasil desde janeiro de 2024. A Lei nº 14.811/2024 alterou o Código Penal, tipificando a intimidação sistemática (bullying) e o cyberbullying. As penas incluem multa e, no caso do cyberbullying, reclusão de 2 a 4 anos.

A síndrome

Quem sofre da síndrome precisa ser supervisionado o tempo todo e ter uma dieta controlada. A fome insaciável começa a dar sinais aos seis anos de idade. Os adolescentes também podem apresentar mãos e pés pequenos, baixa estatura e dificuldades de aprendizado.

Embora seja considerada rara, a Síndrome de Prader-Willi é a causa genética mais comum de obesidade mórbida infantil identificada até hoje.

De acordo com a Associação Brasileira da Síndrome de Prader-Willi, para saber se alguém sofre do distúrbio genético é preciso estar atento aos seguintes sinais:

Movimentos fetais diminuídos, bebê letárgico, com choro fraco;

Dificuldade de sucção e pouco ganho de peso nos primeiros meses de vida;

Ganho de peso rápido ou excessivo entre 1 e 6 anos de idade;

Traços faciais distintivos: olhos amendoados, boca pequena, com lábio superior fino e cantos curvados para baixo;

Hipogonadismo – hipoplasia genital, incluindo testículos que não desceram e pênis pequeno; puberdade tardia, com menstruação escassa ou inexistente;

Atraso no desenvolvimento global antes dos 6 anos de idade e deficiência cognitiva de leve a moderada ou problemas de aprendizagem em crianças mais velhas;

Hiperfagia; interesse e/ou obsessão por comida;

Possíveis acessos de raiva, comportamento obsessivo-compulsivo, opositor, rígido, possessivo, teimoso, mas também amável e afetuoso;

Distúrbios do sono;

Estatura baixa;

Hipopigmentação – pele e cabelo mais claros que os pais;

Mãos e/ou pés pequenos.

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