
Lula- Ricardo Stuckert / PR/Divulgação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou, na manhã desta terça-feira (24), da sessão de debates da 79ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU). O chefe do Executivo fez o tradicional discurso brasileiro inaugural dos trabalhos em Nova York, nos Estados Unidos.
Lula começou o discurso de 19 minutos falando sobre os conflitos no Oriente Médio e a crise climática. “Testemunhamos a escalada de disputas geopolíticas e de rivalidades. (O ano de) 2024 registra o triste recorde do maior número de conflitos desde a Segunda Guerra. US$ 2,4 trilhões com armas foram gastos. Esses recursos poderiam ter sido utilizados para combater a fome e enfrentar a mudança do clima”, afirmou o presidente brasileiro.
“O que se vê é uso da força se tornando a regra. Testemunhamos dois conflitos simultâneos com potencial de se tornarem generalizados. Na Ucrânia, não há perspectiva de paz. O Brasil condenou de maneira firme a invasão do território ucraniano. Isso traz à memória a guerra fria. China e Brasil estabelecem um processo de diálogo e o fim das hostilidades”, acrescentou.
Lula demonstrou preocupação com o conflito em Gaza e na Cisjordânia. “São mais de 40 mil vítimas fatais, em sua maioria mulheres e crianças. Direito de defesa se transformou em direito de vingança, que adia cessar-fogo. Este ano, o número dos que necessitam de ajuda humanitária no mundo chegará a 300 milhões de pessoas”, lamentou.
O presidente também citou a crise climática no mundo. “O planeta não espera para cobrar da próxima geração, e está farto de acordos climáticos que não são cumpridos, de negligência do auxílio financeiro aos países pobres que mais necessitam. 2024 caminha pra ser o ano mais quente da história moderna. Secas e inundações na África e na Europa. No Sul do Brasil, a maior enchente. Incêndios florestais se alastraram pelo país. O meu governo não terceiriza responsabilidade nem abdica da sua soberania”, ressaltou.
Segundo Lula, 9% da população mundial está subnutrida. “O problema é especialmente grave na África e na Ásia, mas também persiste na América Latina. Pandemias, conflitos armados, eventos climáticos e subsídios a países ricos ampliam esse flagelo. Mas a fome decorre sobretudo de escolhas políticas. O mundo produz o suficiente, o que falta é acesso aos alimentos. A Aliança Global será um dos principais resultados da presidência brasileira no G20. Todos que quiserem se somar a esse esforço serão bem-vindos”, disse.
