


A 11ª edição da pesquisa do Mapa Nacional da Violência de Gênero também trouxe um estudo exploratório sobre violência contra mulheres trans e travestis. De acordo com o levantamento, o grupo segue pouco representado nas estatísticas oficiais brasileiras por falhas de registro, ausência de dados públicos consistentes e dificuldade de acesso a políticas de proteção.
O estudo ouviu 43 mulheres trans e travestis, das quais 70% se declararam pretas, pardas ou indígenas e 26%, brancas.
Mais da metade (56%) sofreu violência doméstica no último ano. Apesar disso, apenas 9% reconheceram espontaneamente o episódio como violência.
Entre os tipos de agressão relatados, a violência psicológica lidera, presente em 95% dos casos. As violências física e moral aparecem em seguida, ambas registradas em 88% dos relatos.
Embora, desde 2022, a Lei Maria da Penha também proteja mulheres trans, após decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), 88% das vítimas ouvidas na pesquisa não procuraram serviços de proteção à mulher.
O perfil do agressor segue como concentrado em relacionamentos amorosos: marido, companheiro ou namorado da vítima. Em 60% dos relatos, no momento da agressão mais grave, o autor estava com ciúmes; em 50% estava inconformado com término ou tentativa de término do relacionamento.
