


Produtores do agronegócio brasileiro começaram a redirecionar as exportações para mercados como Europa, Argentina, Ásia e Oriente Médio após a imposição de uma tarifa adicional de 25% pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros. A medida, que entra em vigor na próxima terça-feira (22), reduz a competitividade das mercadorias brasileiras e pressiona setores como fruticultura, arroz, açúcar, madeira e proteína animal.
Com a perda de espaço no mercado americano, produtores já reorganizam suas estratégias comerciais para minimizar os impactos do chamado "tarifaço". No Vale do São Francisco, o produtor Rodrigo Pamponet informou que as exportações de uvas para os EUA praticamente serão interrompidas neste ano, enquanto as vendas passaram a se concentrar na Europa e na Argentina.
Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), cerca de 36,5% das exportações do agronegócio brasileiro para os Estados Unidos serão afetadas, colocando em risco aproximadamente US$ 4,6 bilhões em negócios. Caso uma nova investigação comercial avance, a sobretaxa total poderá chegar a 37,5%.
Apesar da preocupação, especialistas apontam que a abertura de novos mercados tem ajudado a compensar parte das perdas. A ApexBrasil prepara um plano de contingência de R$ 130 milhões para ampliar a presença dos produtos brasileiros em regiões como Ásia Central, Oriente Médio e União Europeia.
No entanto, representantes do setor alertam que a perda do mercado americano pode reduzir a rentabilidade dos produtores, principalmente da fruticultura irrigada do Vale do São Francisco, onde a cadeia da uva gera cerca de 70 mil empregos diretos e indiretos. A expectativa do segmento é que haja uma solução negociada antes do início da principal temporada de exportação para os Estados Unidos.
