Mortes relacionadas ao calor extremo podem aumentar em quase cinco vezes até 2050, alerta relatório

Por: Rádio Sampaio com G1
 / Publicado em 15/11/2023

Foto: Ilustração

As mortes relacionadas aos efeitos do calor extremo podem quase quintuplicar nas próximas décadas, segundo um relatório feito por mais de 100 especialistas de 52 instituições de pesquisas e agências da ONU de todo o mundo, que monitora os impactos das mudanças climáticas na saúde. As conclusões foram publicadas nesta quarta-feira (15) na revista The Lancet.

Os especialistas alertam que "a saúde da humanidade está em grave perigo".

O trabalho afirma que em um cenário de aumento médio da temperatura de 2ºC na comparação com o período pré-industrial até o fim do século, as mortes vinculadas ao calor podem aumentar em 4,7 vezes até 2050.

"O nosso balanço da saúde revela que os perigos crescentes das alterações climáticas estão custando vidas e meios de subsistência em todo o mundo. As projeções de um mundo 2°C mais quente revelam um futuro perigoso e são um lembrete sombrio de que o ritmo e a escala dos esforços de mitigação observados até agora têm sido lamentavelmente inadequados para proteger a saúde e a segurança das pessoas”, afirma Marina Romanello, diretora executiva do relatório.

"Estamos pagando em vidas", disse Marina Romanello, diretora executiva do relatório.

Com cerca de 1,1ºC de aquecimento, as pessoas já experimentaram, em média, cerca de 86 dias de temperaturas elevadas que ameaçam a saúde em 2018-2022.

Pessoas com mais de 65 anos têm sido as mais vulneráveis ao aumento das temperaturas. As mortes nessa faixa etária atribuídas ao aumento das temperaturas subiram 85% na última década (2013-2022), em comparação com o número de pessoas que morreram durante o período de 1991-2000.

Segundo as estimativas, 2023 será o ano mais quente registrado na história.

No documento, os cientistas destacam que o calor é apenas um dos fatores climáticos que podem contribuir para o aumento da mortalidade.

Ondas de calor mais frequentes poderão fazer com que cerca de 525 milhões de pessoas sofram de insegurança alimentar moderada ou grave até a metade do século, aumentando o risco global de desnutrição.

As doenças infecciosas transmitidas por mosquitos devem continuar em propagação. A transmissão da dengue, por exemplo, pode registrar alta de 36%.

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, comentou o relatório e afirmou que "a humanidade enfrenta um futuro intolerável".

"Já estamos vendo a catástrofe acontecendo para a saúde e a subsistência de bilhões de pessoas ao redor do mundo, ameaçados por ondas de calor recordes, secas devastadoras para as colheitas, níveis crescentes de fome, surtos crescentes de doenças infecciosas, tempestades e inundações fatais", afirmou em um comunicado.

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