Moradores de Copacabana organizam “força-tarefa” contra o crime

Por: Pedro Ivon com CNN Brasil
 / Publicado em 07/12/2023

Imagem: reprodução

Moradores do bairro de Copacabana, no Rio de Janeiro, organizaram uma “força-tarefa” para combater a criminalidade da região com as próprias mãos. A iniciativa teve início após a repercussão de um assalto ocorrido no último sábado (2), quando Marcelo Rubim (67) foi agredido e assaltado depois de tentar impedir o roubo a uma mulher.

Imagem: reprodução/redes sociais

De acordo com a CNN, o grupo de "justiceiros" utiliza as redes sociais para combinar estratégias e sugere até o uso de armas brancas, como porretes. Um dos líderes do movimento, identificado como William Correia, convocou outros voluntários para a iniciativa.

“E aí, rapaziada de Copacabana, qual vai ser? Vamos deixar os caras fazer o que querem aqui no nosso bairro mesmo? Cadê a nossa rapaziada de 2015 que botou esses caras pra correr? E aí? Vai esperar ser o nosso pai, o nosso avô, teu pai, alguém da tua família? Tomar um soco na cara e ficar por isso mesmo, ninguém fazer nada? Polícia não pode fazer nada, prende e solta”, disse Correia em um vídeo.

Muitos dos envolvidos no movimento criticam a soltura dos suspeitos após a audiência de custódia e o fato de alguns ficarem presos por pouco tempo e logo serem libertos.

Sobre o assalto a Marcelo

Depois de ter sido agredido e roubado, Marcelo prestou queixa. Segundo a CNN, o bando que assaltou o idoso foi o mesmo que cometeu outro assalto, no Arpoador, localizado na zona sul do Rio. Na ocasião, os suspeitos também agiram com violência com as vítimas, que eram duas mulheres.

Críticas à ação dos “justiceiros”

O ex-comandante-geral da Polícia Militar (PM), coronel Ubiratan Ângelo, criticou a medida tomadas pelos cidadãos e disse que apenas o estado pode perseguir o infrator penal. “Após a apuração, feita em julgamento, só o estado pode julgar e punir. O uso da força deve ser legal, técnico e feito pelo agente capaz. O uso da força tem que ser legal e só pode ser em oposição a força contrária, contra agente ou terceiros”, explicou o militar.

Ele também afirmou que mesmo o emprego da força tem que ser comedido e que não cabe ao cidadão comum.

“Se ele não acredita que a solução é pela polícia, que se organize e apresente propostas e soluções. Há quem diga que o cidadão pode empregar a força quando ele está em legítima defesa. O emprego da força nesse caso é para preservar o direito que está sendo agredido. Se a sociedade se organiza em paralelo, o nome disso é milícia. É quando o cidadão decide cumprir a lei e a ordem à sua percepção paralelo ao poder do estado”, argumentou.

Pronunciamento da PM

Em uma nota enviada à imprensa, a PM disse que as unidades operacionais que atuam no bairro frequentemente fazem ações de revistas e abordagem a pessoas em situação de vulnerabilidade, bem como várias ações para coibir roubos e furtos.

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