
Foto: João Risi/MS
O Ministério da Saúde anunciou a substituição progressiva do papanicolau pelo exame de DNA-HPV no rastreamento do câncer de colo do útero no Sistema Único de Saúde (SUS). A mudança é considerada um marco para a saúde da mulher no Brasil, já que a infecção pelo papilomavírus humano (HPV) é o terceiro tipo de câncer mais incidente entre mulheres.
De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), a estimativa para o triênio 2023-2025 é de 17 mil novos casos por ano, o que representa cerca de 15 ocorrências para cada grupo de 100 mil mulheres. O câncer de colo do útero provoca, em média, 20 mortes por dia no país, sendo a principal causa de morte entre mulheres no Nordeste — número que, em alguns estados, chega a ser até seis vezes maior do que os casos de feminicídio.
O exame de DNA-HPV é mais sensível que o papanicolau tradicional e consegue identificar a presença do vírus antes mesmo do surgimento de lesões. A tecnologia, já adotada em países como Reino Unido, Espanha e Portugal, foi recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como padrão ouro para o rastreamento da doença e integra a estratégia global para eliminá-la como problema de saúde pública até 2030.
A coleta do material é semelhante à do papanicolau, mas, em vez de ser colocada em uma lâmina para análise microscópica, a secreção do colo do útero é armazenada em um tubo com líquido conservante e enviada a laboratórios especializados. A partir daí, é feita a análise do DNA do vírus. Segundo especialistas, esse método amplia a chance de diagnóstico precoce e reduz a necessidade de exames repetitivos, permitindo que mulheres com resultado negativo repitam a coleta apenas a cada cinco anos.
A implementação começou de forma gradual em 12 estados e no Distrito Federal, contemplando inicialmente municípios que já possuem centros de referência em colposcopia e biópsia. A meta é que até dezembro de 2026 o rastreamento com DNA-HPV esteja disponível em todo o país, alcançando cerca de 7 milhões de mulheres entre 25 e 64 anos anualmente.
O Ministério da Saúde destaca ainda a importância da vacinação contra o HPV como medida complementar ao rastreamento. Disponível no SUS, a vacina é aplicada em dose única em meninas de 9 a 14 anos e em grupos específicos até 45 anos, como pessoas imunossuprimidas. A combinação entre vacinação e testagem é vista como essencial para acelerar a redução da incidência e mortalidade do câncer de colo do útero no Brasil.
