
Foto: PATRICK MEINHARDT / AFP
A Guiné-Bissau vive uma nova ruptura institucional. Militares anunciaram nesta quarta-feira (26) que assumiram o “controle total” do país, suspenderam o processo eleitoral e determinaram o fechamento das fronteiras nacionais, apenas três dias após as eleições legislativas e presidenciais.
O presidente Umaro Sissoco Embaló confirmou à TV France 24 que foi deposto. O golpe foi oficializado em um comunicado lido por militares no quartel-general do Exército, em Bissau. Momentos antes, moradores relataram tiros próximos ao palácio presidencial, enquanto forças armadas bloqueavam o acesso ao prédio.
A crise política reacende o histórico de instabilidade da Guiné-Bissau, um dos países mais pobres do mundo, marcado por sucessivas intervenções militares desde sua independência de Portugal, em 1974.
Em pronunciamento na televisão estatal, o Brigadeiro-General Denis N’Canha anunciou a criação de uma administração interina, batizada de Alto Comando Militar para a Restauração da Segurança Nacional e da Ordem Pública. Todas as instituições do Estado, incluindo a Constituição, o Parlamento e o processo eleitoral, foram suspensas.
Segundo N’Canha, setores políticos teriam conspirado com narcotraficantes para desestabilizar o país e manipular as eleições. O comando militar afirmou ainda que o governo civil só será restabelecido “quando as condições necessárias existirem”, sem previsão de retorno à normalidade institucional.
A comunidade internacional acompanha o caso com preocupação, diante de mais um capítulo de instabilidade em uma das nações mais voláteis da África Ocidental.
