Menino tem cabeça reconectada ao pescoço após "decapitação interna"

Foto: Hadassah Medical Center

Em Israel, médicos realizaram um procedimento altamente complexo para salvar a vida de um menino de 12 anos. Enquanto andava de bicicleta, o garoto foi atropelado por um carro. Como consequência do impacto, ele teve uma luxação bilateral da articulação atlanto-occipital, condição conhecida popularmente como "decapitação interna" ou "decapitação ortopédica".

Apesar do popular nome decapitação, as fraturas são muito diferentes. Na medicina, uma pessoa decapitada é aquela que teve o seu crânio completamente separado do corpo, como se tivesse ido, literalmente, para a guilhotina. Nestes casos, não há nenhuma chance de sobrevivência, nem mesmo considerando que a pessoa fique tetraplégica.

No caso da decapitação interna, dependendo do grau, os ossos e os ligamentos entre o crânio e a coluna cervical são rompidos, internamente, como se a pele e os músculos fossem o que mantivessem a cabeça no lugar. Mesmo assim, o risco de sobrevivência tende a ser baixo, já que demanda um centro cirúrgico e profissionais altamente especializados para agir em tempo hábil.

Entenda o caso do garoto que sofreu "decapitação interna"

O paciente, identificado como Suleiman Hassan, teria sofrido o atropelamento que provocou a "decapitação interna" na Cisjordânia, durante o mês de junho. Em caráter de urgência, o menino foi transportado de avião para o centro médico Hadassah, na cidade de Ein Kerem, em Israel — são menos de 60 km.

"O procedimento em si é muito complicado e levou várias horas", conta Ohad Einav, médico especialista em ortopedia que cuidou do caso, para o jornal The Times of Israel. Foi necessário o uso de placas e fixações na área atingida, buscando reconectar as partes rompidas entre a cabeça e o pescoço.

Hoje, o garoto já recebeu alta médica, sendo necessário usar apenas uma tala cervical. Nos próximos meses, ainda serão necessárias algumas visitas médicas para checar se a recuperação evolui conforme o esperado. No entanto, nenhum tipo de problema neurológico foi identificado.

"O fato da criança não ter [desenvolvido] déficits neurológicos e nem disfunção sensorial ou motora, e de estar andando normalmente, sem auxílio, após um processo [cirúrgico] tão longo, é bastante significativo", detalha Einav sobre a cirurgia bem-sucedida. Até o momento, nenhum relato de caso sobre a intervenção foi publicado em nenhuma revista científica.

 

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